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Iémen: Confrontos sangrentos pelo controlo de Marib

A guerra pelo controlo desta região rica em petróleo fez nos últimos dias dezenas de mortos entre os rebeldes hutis e as forças pró-governamentais. Existem 2 milhões de deslocados em 139 campos na região.
Enterro de combatentes hutis após combates em Marib. Foto de Yahya Arhab via EPA/Lusa.
Enterro de combatentes hutis após combates em Marib. Foto de Yahya Arhab via EPA/Lusa.

O Libération define-a como “uma batalha decisiva para o futuro do país”. Só neste mês de setembro, os confrontos terão provocado pelo menos 400 mortos enquanto um cessar fogo não é acordado. Em 2020, mais de 3 mil mortos foram registados entre as forças armadas do governo, as tribos e os hutis nos combates.

Situada a 120 quilómetros da capital Sana e rica em petróleo, Marib é o último reduto do país leal ao governo, tendo a capital caído para os rebeldes no final de 2014. Uma derrota das forças governamentais em Marib irá descredibilizar definitivamente o presidente Abdrabbo Mansour Haidi a nível regional e internacional.

A coligação que sustenta militarmente o governo é liderada pela Arábia Saudita, cuja força aérea é a principal responsável pelas mortes entre os rebeldes, apoiados pelo Irão.

A Organização das Nações Unidas já definiu a situação como o pior desastre humanitário do mundo, com enorme risco de fome em grande escala. Cerca de 80% dos 30 milhões de habitantes dependem de ajuda humanitária face a uma guerra que provocou já milhões de deslocados internos.

Os esforços diplomáticos têm falhado em restituir alguma paz ao território. Os rebeldes exigem neste momento a reabertura do aeroporto da capital, sob bloqueio saudita desde 2016, antes de aceitar qualquer negociação para um cessar fogo.

Hans Grundberg, emissário da ONU no Iémen, apelou a “uma paz durável”, considerando ser “imperativo que todos os esforços sejam desenvolvidos para relançar um processo político que possa criar soluções duráveis para os iemenitas”.

Marib é um dos maiores centros de campos de deslocados internos do Iémen, com cerca de 2 milhões de iemenitas colocados em 139 campos, que estão agora ameaçados pelos combates.

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