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Hungria: cientistas contra interferências de Orbán na investigação

O primeiro-Ministro húngaro apresentou uma proposta que retira à Academia das Ciências a sua autonomia intelectual e financeira. Esta terça-feira os cientistas manifestaram-se contra.
Academia Húngara das Ciências. Foto de Nick Richards/Flickr

Foram centenas os investigadores, professores e estudantes do ensino superior que fizeram um cordão humano à volta da Academia Húngara das Ciências em Budapeste. Protestavam contra a proposta do governo nacionalista de controlar esta instituição.

A Academia Húngara das Ciências, que conta com cerca de cinco mil investigadores, tinha até agora autonomia financeira. Os seus centros de investigação vão passar a ter de concorrer a financiamentos de curto prazo do governo, ficando assim na dependência do Ministério da Inovação e Tecnologia. Esta duração dos financiamentos é contestada pelos manifestantes que, alegam, não se coaduna com alguns dos projetos e instituições. Mas o ponto central é a dependência política e ingerência governamental nos assuntos académicos: a reforma promovida por Viktor Orbán não apresenta quaisquer critérios objetivos sobre a decisão deste financiamento, dizem os cientistas húngaros. Para além disso, estabelece prioridades de que os investigadores desconfiam, orientadas sobretudo para “reforçar a competitividade”.

O ministro do setor, László Palkovics, esclarece que não quer controlar politica ou economicamente a investigação e diz que quer até “dar mais”. Na condição de se “orientar a investigação para sectores tais como a saúde, o ambiente, a tecnologia e a digitalização”. Orbán foi mais longe e diz que quer que os projetos de investigação “criem “um lucro económico direto”.

Para além da mercantilização da investigação científica, em causa está o seu controlo ideológico. O governo de Orbán tem criado centros de investigação afetos ao regime como o Instituto de História Veritas, cujo diretor terá negado um dos episódios do Holocausto. Com a reforma de Órban, estes institutos passam a concorrer com os centros de investigação tradicionais da Academia Húngara das Ciências, fazendo os cientistas temer uma “ingerência ideológica” nas investigações apoiadas.

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