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Houve “golpada” no referendo organizado pelo Pingo Doce, diz sindicato

Universo eleitoral desconhecido, uma plataforma de voto que não se sabe se registou quem votou no quê, falta de privacidade na votação, pressões e ameaças a quem votou contra a administração, estas são algumas das irregularidades denunciadas. O CESP vai impugnar o referendo sobre banco de horas grupal em tribunal.
Trabalhadores numa ação contra o banco de horas no Pingo Doce. Foto: CESP/Facebook.
Trabalhadores numa ação contra o banco de horas no Pingo Doce. Foto: CESP/Facebook.

O CESP, Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, acusa o grupo Pingo Doce/JMR de ter feito uma “golpada” no referendo sobre o banco de horas grupal e comunica que vai impugná-lo em tribunal.

O sindicato informou ainda que enviou uma denúncia à Comissão Nacional de Proteção de Dados, uma vez que a empresa forneceu dados pessoais de todos os seus trabalhadores a duas empresas externas.

Em comunicado, a estrutura insurge-se contra todo o processo que decorreu entre 16 de julho e três de agosto e que culminou com o anúncio da administração da vitória da sua proposta. Segundo o CESP, o referendo terá “consequências muito graves para os trabalhadores”, “não foi isento, não foi independente e não foi nada transparente”.

Entre as várias irregularidades citadas, está a falta de informação aos sindicatos do número de trabalhadores com direito a voto, o que seria um “fator essencial para o apuramento dos resultados” e informação sobre quais trabalhadores exerceram o direito a voto, “sendo que alguns são trabalhadores com contrato a termo, para reforço de férias ou substituição de trabalhadores ausentes”.

O sindicato refere ainda que lhe chegaram várias denúncias de que “algumas chefias ameaçaram os trabalhadores que votaram “Não” de que estes nunca mais iriam receber prémio” e lança a pergunta: “como sabe o Pingo Doce que os trabalhadores votaram Não?” Estas denúncias acrescentam dúvidas sobre a plataforma criada para a votação poder ter registado o voto de cada um dos trabalhadores, “colocando em causa a confidencialidade do voto”.

Fala-se num clima de repressão por parte das chefias e de condicionamento de exercício do direito de voto. Os relatos dão conta de votações feitas no gabinete da gerência, e até mesmo no computador do gerente, “sempre com ele presente”; de casos em que “era o próprio que introduzia os dados, sem os trabalhadores os fornecerem” e até de uma trabalhadora de baixa “que foi contactada pela supervisora solicitar os dados pessoais para aceder na plataforma e votar por ela”.

De acordo com o CESP, “numa das lojas do Norte do país, as chefias acederam aos dados pessoais dos trabalhadores e votaram pelos mesmos”.

 

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