Esta quarta-feira, Fernanda Campelo, que acompanhava a sua sogra para fazer análises na Trofa Saúde Alfena, em Valongo, caiu nas escadas rolantes deste hospital. Depois da queda, exigiram-lhe 600 euros para o tratamento. Como se recusou a pagar, foi-lhe pedido que chamasse os bombeiros para que fosse assistida num hospital público. A queda resultou em 15 pontos na cara e um pulso partido.
Em declarações ao JN, Fernanda diz que lhe perguntaram se tinha algum seguro de saúde. “Como disse que não tinha, explicaram-me que, para suturar as feridas, eram 300 euros e mais 300 para fazer RX e TAC".
Depois da recusa do pagamento, funcionários do hospital ligaram ao marido de Fernanda, que esperava as duas mulheres no parque de estacionamento do hospital. Deram-lhe o número dos bombeiros e mandaram-no ligar e esperar à porta, porque não a iriam buscar dentro do hospital. "Ou pagava ou chamava uma ambulância e ia para um hospital público", diz Rui Teixeira ao JN, que classifica a situação por que passou como “desumana”.
Fernanda acabou transportada pelos Bombeiros de Ermesinde para o Hospital de São João, onde levou quinze 15 pontos na cabeça e no nariz e lhe foi feito o curativo do pulso.
"Ela bateu com a cabeça. Podia ser grave e morria à espera", diz Rui. Garante que não quer indemnizações: "Só quero justiça. Isto não pode acontecer". Fernanda já apresentou queixa na GNR e participou o caso à Entidade Reguladora da Saúde.
Esta sexta-feira, Fernanda foi fazer perícias médicas ao Instituto de Medicina Legal, não tendo recebido, até agora, qualquer contacto por parte do Trofa Saúde Alfena, situação que o seu marido lamenta.
Rui Teixeira partilhou a sua história na página pessoal de Facebook, conteúdo que já conta com mais de 1.400 partilhas e 600 comentários.
Boa noite amigos do facebook Este é o estado que a minha mulher hoje ficou, depois de acompanhar a minha mae ao...
Publicado por Rui Jorge Teixeira em Quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
Bloco já questionou o Governo sobre este caso
Perante a gravidade da situação, o grupo parlamentar do Bloco entregou esta sexta-feira na Assembleia da República uma pergunta sobre a omissão de auxílio verificada no Hospital Trofa Saúde Alfena.
O deputado Moisés Ferreira, que assina a pergunta, considera esta situação como “indigna e inaceitável” e acrescenta que “qualquer unidade de saúde tem uma responsabilidade acrescida perante a sociedade, sendo inaceitável que uma unidade de saúde coloque o dinheiro à frente do auxílio e o negócio à frente da saúde. A situação pode, inclusivamente, configurar uma omissão de auxílio, situação que, como se sabe, é considerada crime”.
Negócio da saúde: tentar cobrar 600€ a alguém que se magoou seriamente nas instalações do próprio hospital.
Direito à Saúde: tratar de imediato o pulso partido e as lesões na cara da pessoa que foi recusada pelo hospital privado. https://t.co/PgG7C9xzJg
— moises ferreira (@moisesscf) February 19, 2021
O Bloco de Esquerda exige uma averiguação da situação e que o Ministério da Saúde accione os mecanismos necessários de forma proceder à abertura de um inquérito e inspeção. "O Ministério da Saúde é responsável não só pelo SNS, mas por todos os assuntos relacionados com saúde no país, não podendo, por isso, ignorar esta situação e devendo atuar ou instruir as entidades competentes para atuar”.