Hospital manda retirar prótese a paciente por este não ter dinheiro para a pagar

05 de maio 2013 - 23:06

Dois dias após a operação, o hospital Arnau de Vilanova de Valência, mandou retirar a prótese ortopédica do paciente, porque a sua família, afogada em dívidas hipotecárias, não tinha 152 euros para a pagar.

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"A dor está na cabeça", explica Adrian, "a administração mandou retira uma prótese, que já tinha colocado, por questões económicas".

Um jovem de 23 anos do município valenciano de Llíria, que foi internado na passada segunda-feira no hospital Arnau de Vilanova em Valência, para ser operado ao joelho direito, ficou sem a prótese ortopédica, que lhe tinham colocado, por não ter dinheiro para a pagar, adianta o diário El Levante.

Adrián García sofreu uma dolorosa queda aos 14 anos, quando fazia montanhismo. Com o tempo, a doença piorou e já mal conseguia caminhar com normalidade.

"Era uma operação complicada e o doutor pediu conselhos a um cirurgião francês", conta a família ao jornal. Na terça-feira foi operado com sucesso, acordou com uma prótese no joelho para que a perna permanecesse reta e imobilizada para não prejudicar a recuperação.

Após a operação, o médico informou-os que teriam que pagar 120 euros pela prótese. Dois dias depois apareceu uma funcionária da empresa ortopédica, contratada pelo hospital, em casa da família, reclamando o pagamento de 152 euros. Informou ainda que posteriormente ser-lhes-iam restituídos 122 euros.

No entanto, a família, asfixiada economicamente por uma hipoteca que ronda os 1.200 euros por mês, não dispunha, nesse momento, do dinheiro necessário para fazer frente ao pagamento. "Disse-lhe que não podia pagar. Que não tinha esse dinheiro porque, na verdade, neste momento não tenho nem para comer", conta María Dores, mãe do jovem Adrián.

 Após abandonar a casa e ter recebido a aprovação do médico, que tinha realizado a operação, foi retirada a prótese a Adrián e substituída por gesso. "Não é de todo a mesma coisa, acho que já se desviou", queixa-se o jovem.

O diário levantino informa que o Conselho de Previdência lhes assegurou que está dentro do protocolo oficial: desde 2010, só as próteses internas são cobertas pela Segurança Social. As externas têm de ser pagas pelo paciente no momento, tendo este direito a exigir que a previdência lhe reembolse uma parte do valor, de forma que a contribuição do utente se fique pelos 30 euros.

Trata-se de uma espécie de copagamento farmacêutico. As próteses, acrescentam as mesmas fontes, podem ser colocadas no hospital ou na clínica ortopédica. Tornou-se frequente a cobrança do pagamento das próteses no hospital antes que o paciente receba alta.

Segundo fontes do setor ortopédico, há cada vez mais pacientes a renunciar às próteses, prescritas pelo médico, porque não as conseguem pagar.

O jornal El Levante informa que os pais de Adrián apresentarem uma queixa à Comissão de Utentes do Hospital. Para se deslocarem tiveram que pedir boleia a Vicent, um amável vizinho da família. "Se nós soubéssemos que tínhamos que pagar a prótese, teríamos recorrido a alguém para que nos emprestasse o dinheiro. Mas não nos disseram nada antes de colocarem a prótese", afirma Adrián, que propôs, sem sucesso, à empresa ortopédica pagar a prótese no fim de mês.

A última noite, Adrián passou-a com fortes dores e com recurso a calmantes. O jovem reconhece que a dor não lhe vem pela falta da prótese. "A dor está na cabeça", explica, "a administração mandou retira uma prótese, que já tinha colocado, por questões económicas".