Este sábado, o presidente do Conselho de Administração (CA) do Hospital de S. João deu a conhecer aos responsáveis pelas oito unidades intermédias de gestão do Centro Hospitalar de São João e aos 58 diretores de serviços clínicos e não clínicos demissionários as promessas saídas da reunião com o secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira.
No final do encontro, António Ferreira informou que as lideranças intermédias “aguardam a concretização” destas soluções por parte do governo “nos prazos definidos pela tutela, a maioria das quais até ao dia 15 de julho”.
As 66 chefias do hospital, que alertaram para o facto de estar em risco a qualidade do serviço prestado aos doentes, vão assegurar, "durante este período", a "continuidade de funções", mantendo, contudo, o seu pedido de demissão.
Segundo avançou o presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João, as soluções apresentadas por Manuel Teixeira “têm a ver com situações de resposta a solicitações e a necessidades mais emergentes", como a contratação de profissionais e a manutenção de equipamentos no Serviço de Urgência. Por outro lado, está em causa a aplicação de um novo modelo de gestão no que respeita aos “hospitais que estão em equilíbrio económico, relacionado com mais autonomia na gestão dos seus recursos".
Não obstante a declaração de intenções por parte do secretário de Estado da Saúde, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, não se pronunciou, até ao momento, sobre esta matéria, ainda que as chefias demissionárias do Hospital de São João garantam que a situação atingiu a “insustentabilidade”.
Demissionários frisam não poder “continuar a assegurar o cumprimento da missão para que foram nomeados”
Numa carta enviada ao presidente do Conselho de Administração, citada pela agência Lusa, os responsáveis pelas oito unidades intermédias de gestão do Centro Hospitalar de São João e os 58 diretores de serviços clínicos e não clínicos denunciam “uma progressiva desarticulação inter-hospitalar e com os cuidados de saúde primários, situação que se tenderá a agravar com a aprovação da portaria 82/2014”.
“A reforma hospitalar tem-se traduzido mais pela constituição de repetidos grupos de trabalho, cujos relatórios não chegam à implementação, faltando verdadeiras decisões que impeçam a deterioração do funcionamento hospitalar”, vinca o grupo demissionário.
No que se refere à gestão operacional, estes profissionais avançam que “tem sido impossível a substituição de equipamentos médicos vitais, em função do seu normal desgaste” e que “os sistemas de informação, cujos problemas diários afetam de forma profunda a prestação dos profissionais de saúde, não permitem responder às necessidades dos serviços clínicos”.
“O financiamento, com a nova redução proposta para o contrato-programa de 2014, não valoriza o esforço efetuado pelo CHSJ, desde 2006”, lamentam.
No documento, é ainda referido que “a gestão de recursos humanos, dos vários grupos profissionais, em resultado de processos longos, burocráticos, erráticos e centralizados, impede decisões racionais e ajustadas à realidade, o que provoca o aumento da despesa, a desmotivação dos profissionais e a deterioração na prestação de cuidados de saúde”, sendo que, “na área médica, em função da sua especificidade, estes problemas são ainda mais graves”.
As chefias intermédias assinalam a “carência de informação da tutela: desconhecimento do modo, tempo e objetivos da política de recursos humanos médicos praticada”. “Os procedimentos são alterados sucessivamente, os calendários dos concursos não são previamente conhecidos, as modalidades dos concursos têm variado constantemente, os critérios e a valorização das carências apontadas são desconhecidos, o proposto pelo CA à tutela acaba por não ter qualquer relação com as vagas atribuídas, as razões das alterações subsequentes são desconhecidas e não servem as carências reais”, sublinham.
O grupo demissionário critica ainda a “desadequação progressiva dos sucessivos modelos de contratação de médicos à real organização, complexidade e diferenciação dos hospitais”, defendendo que “com o modelo de recrutamento aplicado pela tutela, não é possível valorizar a especialização, a diferenciação e motivação dos candidatos, para áreas muito específicas e que exigem planeamento e formação a médio/longo prazo”.
“Não podendo continuar a assegurar o cumprimento da missão para que foram nomeados”, os responsáveis pelas oito unidades intermédias de gestão do Centro Hospitalar de São João e os 58 diretores de serviços clínicos e não clínicos frisam que não possuem condições para continuar a exercer as suas funções.