Semedo afirma: “ Quem deve ser demitido é o ministro da saúde e não a administração do S. João”

19 de junho 2014 - 22:41

66 diretores do Hospital de S. João demitiram-se e alertam para “a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população estar em risco”. O coordenador do Bloco declara ao esquerda.net que “os cortes de Paulo Macedo estão a levar os hospitais ao colapso” e que o governo PSD/CDS-PP e o ministro da Saúde “acabarão por destruir o SNS se a sua ação não for travada”.

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66 diretores do Hospital de S. João demitiram-se e alertam para “a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população estar em risco”

66 diretores intermédios e de serviços do Hospital de S. João no Porto demitiram-se em bloco, nesta sexta-feira, em protesto contra as políticas do governo e do ministro Paulo Macedo.

“Os responsáveis pelas oito unidades intermédias de gestão do Centro Hospitalar de São João (Unidades Autónomas de Gestão de Medicina, de Cirurgia e de Urgência e Medicina Intensiva, Centros Autónomos de Medicina Laboratorial e de Imagiologia, Clínica da Mulher, Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental e Hospital Pediátrico Integrado) e os 58 diretores de Serviços clínicos e não clínicos decidiram, em reunião efetuada na manhã do dia 19 de junho, apresentar o seu pedido de demissão”, refere um comunicado do conselho de administração do centro hospitalar de São João, Porto.

As demissões são contra as políticas do Governo PSD/CDS-PP e do ministro da Saúde, Paulo Macedo, apontando os clínicos que está em risco “a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população”, “a desvalorização do Centro Hospitalar de São João e da sua missão no contexto da região e do país” e “a impossibilidade da implementação do desenvolvimento estratégico do Centro Hospitalar de São João”.

Os clínicos denunciam também o “impedimento da ação gestionária do Conselho de Administração e das estruturas intermédias de gestão do Centro Hospitalar, por via da centralização administrativa, no que concerne a políticas de recursos humanos, investimentos, manutenção estrutural, infraestrutural e de equipamentos e compras, que afetará gravemente a prossecução da sua missão e a atividade assistencial, apesar de, reiteradamente, o centro hospitalar de São João apresentar resultados económico-financeiros positivos e resultados clínicos e assistenciais ao nível dos melhores da Península Ibérica”.

O conselho de administração do centro hospitalar não se demitiu, mas diz que concorda com as razões apresentadas pelos diretores demissionários e que está “solidário com as suas lideranças intermédias, tendo reportado esta situação à tutela”.

É cada vez mais claro que Paulo Macedo é o inimigo n.1 do SNS”

Em declarações ao esquerda.net, João Semedo, médico e coordenador do Bloco de Esquerda, afirmou: “Os cortes de Paulo Macedo estão a levar os hospitais ao colapso”.

Salientando que o Hospital de São João no Porto é um dos três maiores hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e referindo que os “os seus principais diretores disseram basta em alto e bom som”, o coordenador do Bloco de Esquerda aponta: “O sub financiamento da saúde está a degradar a qualidade dos serviços de saúde, a reduzir o acesso, a aumentar as listas de espera e a racionar os medicamentos mais caros”.

“Quem deve ser demitido é o ministro da saúde e não a administração do São João”, afirma João Semedo, realçando que “este governo e Paulo Macedo acabarão por destruir o SNS se a sua ação não for travada”.

O coordenador do Bloco de Esquerda conclui: “É cada vez mais claro e para um maior número de pessoas que Paulo Macedo é o inimigo n.1 do SNS."