66 diretores intermédios e de serviços do Hospital de S. João no Porto demitiram-se em bloco, nesta sexta-feira, em protesto contra as políticas do governo e do ministro Paulo Macedo.
“Os responsáveis pelas oito unidades intermédias de gestão do Centro Hospitalar de São João (Unidades Autónomas de Gestão de Medicina, de Cirurgia e de Urgência e Medicina Intensiva, Centros Autónomos de Medicina Laboratorial e de Imagiologia, Clínica da Mulher, Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental e Hospital Pediátrico Integrado) e os 58 diretores de Serviços clínicos e não clínicos decidiram, em reunião efetuada na manhã do dia 19 de junho, apresentar o seu pedido de demissão”, refere um comunicado do conselho de administração do centro hospitalar de São João, Porto.
As demissões são contra as políticas do Governo PSD/CDS-PP e do ministro da Saúde, Paulo Macedo, apontando os clínicos que está em risco “a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população”, “a desvalorização do Centro Hospitalar de São João e da sua missão no contexto da região e do país” e “a impossibilidade da implementação do desenvolvimento estratégico do Centro Hospitalar de São João”.
Os clínicos denunciam também o “impedimento da ação gestionária do Conselho de Administração e das estruturas intermédias de gestão do Centro Hospitalar, por via da centralização administrativa, no que concerne a políticas de recursos humanos, investimentos, manutenção estrutural, infraestrutural e de equipamentos e compras, que afetará gravemente a prossecução da sua missão e a atividade assistencial, apesar de, reiteradamente, o centro hospitalar de São João apresentar resultados económico-financeiros positivos e resultados clínicos e assistenciais ao nível dos melhores da Península Ibérica”.
O conselho de administração do centro hospitalar não se demitiu, mas diz que concorda com as razões apresentadas pelos diretores demissionários e que está “solidário com as suas lideranças intermédias, tendo reportado esta situação à tutela”.
“É cada vez mais claro que Paulo Macedo é o inimigo n.1 do SNS”
Em declarações ao esquerda.net, João Semedo, médico e coordenador do Bloco de Esquerda, afirmou: “Os cortes de Paulo Macedo estão a levar os hospitais ao colapso”.
Salientando que o Hospital de São João no Porto é um dos três maiores hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e referindo que os “os seus principais diretores disseram basta em alto e bom som”, o coordenador do Bloco de Esquerda aponta: “O sub financiamento da saúde está a degradar a qualidade dos serviços de saúde, a reduzir o acesso, a aumentar as listas de espera e a racionar os medicamentos mais caros”.
“Quem deve ser demitido é o ministro da saúde e não a administração do São João”, afirma João Semedo, realçando que “este governo e Paulo Macedo acabarão por destruir o SNS se a sua ação não for travada”.
O coordenador do Bloco de Esquerda conclui: “É cada vez mais claro e para um maior número de pessoas que Paulo Macedo é o inimigo n.1 do SNS."