Nesta sexta-feira, no debate com o primeiro-ministro, que pode ser visto na íntegra nos vídeos abaixo, João Semedo confrontou Passos Coelho com a situação no Hospital de S. João no Porto, que levou à demissão de 60 diretores que alertam que “a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população estar em risco”.
Semedo confrontou também Passos Coelho com os atrasos no pagamento dos vencimentos de funcionários públicos, provocada pela não aplicação imediata da decisão do Tribunal Constitucional (TC).
O coordenador do Bloco mostrou uma carta do presidente do centro hospital do Algarve aos trabalhadores, a anunciar que os vencimentos de junho ainda serão pagos com os cortes até agora aplicados, por falta de fundos disponíveis.
Semedo considerou que para situações excecionais, o Governo deveria tomar medidas excecionais e condenou o executivo por criar desigualdades na aplicação do acórdão do TC, com trabalhadores da administração pública a receberem já o vencimento por inteiro em junho e outros não.
O coordenador do Bloco de Esquerda acusou então: “O seu Governo e o senhor primeiro-ministro, juntamente com alguns dirigentes do PSD andam a semear artificialmente capital de queixa dos trabalhadores da administração pública contra o Tribunal Constitucional para se servirem dos trabalhadores da administração pública como carne de canhão na guerra que estão a travar contra o TC, contra a Constituição e os direitos consagrados na Constituição”.
Sobre o Hospital de S. João, João Semedo afirmou que a situação é “gravíssima” e que a crítica dos diretores que se demitiram, e que é subscrita pelo conselho de administração apesar de não se ter demitido, “é demolidora da política do governo”.
Semedo apontou então ao primeiro-ministro que “ou demite o ministro [da Saúde] ou demite o conselho de administração [do Hospital de São João]”. Perante a resposta de Passos Coelho que reconhece que os problemas “são reais” mas que diz que não se podem resolver de "uma penada problemas estruturais que têm anos", Semedo aponta: “O que o primeiro-ministro propõe é que a situação se continue a afundar”.