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“Há um silêncio preocupante do Governo que preside à UE sobre as vacinas”

Em entrevista ao Público e à Renascença, Catarina Martins critica a falta de ação do Governo na presidência da União Europeia sobre as vacinas. A coordenadora bloquista reafirma que “o PS é muito permeável ao poder económico” e considera que “há hipóteses de diálogo, mas é necessário construir respostas de esquerda”.
Catarina Martins - Foto de Mário Cruz/Lusa (arquivo)
Catarina Martins - Foto de Mário Cruz/Lusa (arquivo)

Catarina Martins foi entrevistada para o Público e para a Rádio Renascença, tendo abordado o momento político, a presidência do Governo português na União Europeia (UE), as relações com o PS e o Governo, a “ameaça de eleições antecipadas” e a candidatura autárquica do Bloco em Lisboa. E voltou a sublinhar que as “moratórias devem ser adiadas até a recuperação começar”.

Pouco compreensível que vacinas não seja tema fundamental

Catarina Martins considera que “há um silêncio preocupante do Governo na presidência europeia” sobre as vacinas e lembra “os apelos de António Guterres, que tem vindo a dizer que a crise exige a universalização da vacina”.

A coordenadora do Bloco afirma que a UE fez bem em comprar as vacinas antes de existirem, mas considera errado que os contratos digam que “a UE paga e as farmacêuticas disponibilizam quando puderem”. E acrescenta que “é pouco compreensível que tendo Portugal a presidência da UE, este não seja um tema fundamental para pôr em cima da mesa. É bem tempo de o fazer e a UE tem uma responsabilidade de o fazer”.

Moratórias devem ser adiadas até a recuperação começar”

Questionada sobre as moratórias e até quando devem ser estendidas, Catarina Martins é perentória: “Até à recuperação começar”, uma vez que “se continuam sem rendimentos ou com o restaurante fechado, como é que as pessoas vão resolver o problema?” Aponta também que “tem de haver planos de pagamento faseados” e alerta que as moratórias, “tal como estão, não foram feitas para que se pudesse recuperar no futuro, foi só para adiar uma falência”. “Isso seria o desastre económico”, frisa.

Há hipóteses de diálogo mas é necessário construir respostas de esquerda”

Questionada se há hipóteses de diálogo à esquerda, a coordenadora bloquista afirma que sim, mas que “é necessário construir respostas de esquerda, tanto de emergência como estruturais, para a situação que estamos a viver”.

Catarina Martins lembra o afastamento do PS em relação à legislatura anterior, aponta a recusa em negociar “sequer medidas sociais”, para responder às consequências da pandemia. E afirma que o que é dito na moção que encabeça à próxima convenção do Bloco “é que continuamos a considerar que as respostas fundamentais que pusemos em cima da mesa continuam a ser fundamentais na resposta para o país e aquilo que nos propomos é construir caminhos e maiorias sobre essas soluções”.

PS vem há bastante tempo a centrar a sua negociação com o PSD”

Questionada se houve alguma reaproximação entre o Bloco e o PS, Catarina Martins refere que o Governo se aproximou de forma parcelar de algumas medidas propostas pelo Bloco, mas que do ponto de vista da negociação “o PS vem há bastante tempo a centrar a sua negociação com o PSD”. E cita diversos casos, nomeadamente o do aeroporto do Montijo, em que depois do chumbo da ANAC por causa dos pareceres negativos das autarquias, o PSD vem oferecer-se para mudar a lei.

Permeabilidade ao poder económico pode aumentar com a “bazuca” europeia

Questionada se no caso de o Governo tiver pouco para oferecer “é preferível ir para eleições antecipadas”, a coordenadora bloquista responde que “o pouco ou muito não define nada: é o tipo de resposta”. Refere que para a EDP foi demais, sublinha que “o problema é da qualidade da resposta e a quem se responde em cada momento” e recorda que já em tempos disse “que o PS é muito permeável ao poder económico”, podendo isso até aumentar com a “bazuca” europeia.

“Não há abertura do Governo a alterar relações estruturais no país para que estes investimentos europeus tenham uma repercussão real nas condições de vida das classes trabalhadoras”, alerta, lembrando que a lei laboral não tem qualquer alteração e “os factores de maior precarização se mantêm”.

Sobre as eleições autárquicas, as jornalistas perguntam se a recusa de coligações com o PS da moção da direção do Bloco à Convenção se estende também a Lisboa ou o acordo autárquico com o PS tem corrido mal. Catarina Martins responde: “o acordo em Lisboa é pós-eleitoral e faço uma avaliação muito positiva”. A coordenadora bloquista sublinha que o acordo entre o Bloco e o PS em Lisboa “foi importante e precisou da apresentação de programas diferentes para se poder concretizar”. “Quando uma coisa corre bem, devemos mantê-la”, conclui.

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