O Barómetro de Internamentos Sociais é um instrumento que se propõe medir o número de pessoas que estão internadas em hospitais portugueses, não por razões clínicas mas por razões sociais.
Da responsabilidade da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares é apoiado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e pela consultora EY.
O estudo lançado este ano concluiu que 8,7% dos internamentos hospitalares são de ex-pacientes que continuam internados por não terem condições para sair da instituição. Ao todo, mais de 1.551 camas de hospital estão a ser ocupadas por esta razão num total de 17.826 internamentos relativos ao passado dia 18 de fevereiro.
Estes números correspondem a uma subida de 87% (mais 722 pessoas) relativamente ao estudo anterior. Para a subida, terá contribuído o aumento da amostra: de 79% o ano passado para 90% este ano. Por outro lado, o tempo médio de internamento social baixou. Em 2020 é 77,4 dias, menos 21% do que na terceira edição do estudo.
57% dos internamentos sociais acontecem porque depois da alta clínica o utente fica à espera de vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados. 16% é devido à “incapacidade de resposta familiar ou do cuidador” e 9% das pessoas estão a aguardar vaga num lar de terceira idade.
A região Norte do país concentra a esmagadora maioria dos casos, cerca de 73%. Lisboa e Vale do Tejo fica a grande distância com 15% e o Centro ainda mais com 8%.
Um quinto de internados com covid-19 continua no hospital por razões sociais
Paralelamente ao estudo principal que vai na sua quarta edição, as mesmas entidades realizaram um inquérito que visava particularmente a covid-19. Nele, concluíram que uma em cada cinco pessoas internadas está lá por razões sociais. A maioria tem mais de 70 anos.
Estes dados referem-se a 5 de maio passado e compilam informação proveniente de 32 instituições, cobrindo 810 internamentos. 147 permaneciam internados por razões de saúde. São 18% do total.
No caso do novo coronavírus, a média de dias em que os pacientes ficaram na instituição depois da alta clínica foi de 16,5. A maioria tem mais de 80 anos (55%) e 22% tem entre 70 e 79 anos. 29% ficaram porque a família ou o cuidador eram incapazes de dar resposta à sua situação. 23% porque o lar onde estavam não garantia as condições de isolamento.