Lutas

Greve na Repsol de Sines contra bloqueio nas negociações

06 de maio 2025 - 10:46

Os trabalhadores da Repsol Polímeros vão parar esta quarta-feira. Sindicato acusa a administração de “inflexibilidade total” ao fim de meses de negociações do Acordo de Empresa.

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Repsol em Sines
Repsol em Sines. Foto Repsol

O Sindicato das Indústrias, Energia, Serviços e Águas de Portugal (SIEAP) convocou uma greve de 24 horas para esta quarta-feira, 7 de maio, abrangendo todos os trabalhadores da Repsol Polímeros, no Complexo Industrial de Sines.

O SIEAP exige “o desbloqueio imediato das negociações, propostas justas que reflitam a valorização real das suas condições de trabalho e o respeito pelos compromissos assumidos e pelos direitos conquistados”.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente sindical Bruno Candeias diz que a empresa tem manifestado “inflexibilidade total” em convergir com as propostas apresentadas pelos trabalhadores e que a greve segue-se a várias tentativas de diálogo que tiveram como resposta o bloqueio das negociações do Acordo de Empresa.

Repsol anuncia investimentos milionários, mas “para os trabalhadores, apenas tostões”

A Repsol Polímeros é um exemplo de uma empresa que “anuncia investimentos milionários”, mas “para os trabalhadores, apenas tostões”, diz Bruno Candeias. “Se há dinheiro para investir e bem para que o negócio possa continuar, os trabalhadores também têm de ser valorizados na mesma medida”, defendeu.

No que diz respeito à revisão das tabelas salariais, os trabalhadores querem ver tida em conta “a questão do poder de compra e do aumento do salário mínimo nacional”, além de “um conjunto significativo de outras propostas que a empresa praticamente tem rejeitado”, afirmou Bruno Candeias.

Os trabalhadores não aceitam a perda de poder de compra que a proposta da empresa pressupõe, por conter aumentos abaixo da inflação prevista e das previsões do aumento do salário mínimo nacional. Para o ano corrente, a proposta de aumento de 115 euros para todos no mínimo de 5,5% é considerada “francamente melhor”, embora nos últimos três anos tenha havido um aumento de apenas 1% com a inflação acumulada a somar 15%. Por essa razão, em vez dos 35 euros de aumento proposto pela empresa para 2026 e 2027, os trabalhadores contrapõem “um aumento igual à inflação, no mínimo de 50 euros” em cada um dos próximos dois anos.

“Os trabalhadores têm a expectativa de não só manter o poder de compra neste triénio, mas também de recuperar algum do poder de compra perdido nos últimos três anos, que foi de cerca de 14% na Repsol”, afirmou Bruno Candeias.