Greve "histórica" nos call-centers da Teleperformance

26 de fevereiro 2024 - 16:14

Centenas de trabalhadores concentraram-se em frente à sede da empresa. Mariana Mortágua diz que o modelo da direita são estas multinacionais "que se recusam a pagar o salário mínimo" e dizem que "a cama que dá aos trabalhadores já faz parte do salário".

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Mariana Mortágua com os trabalhadores da Teleperformance
Mariana Mortágua com os trabalhadores da Teleperformance. Foto de Ana Mendes.

Os trabalhadores dos call-centers da Teleperformance fizeram esta segunda-feira a maior greve de sempre contra a recusa da empresa em aumentar salários, argumentando que o pagamento em espécie no alojamento já faz parte dos salários. “A TP (Teleperformance) pratica o salário mínimo nacional. Agora como foi obrigada a aumentar, em muitos casos, tirou os 60 euros do bónus, que são prémios voláteis”, acrescentou a dirigente do SINTTAV, Ana Costa, em declarações à Lusa, junto às centenas de jovens trabalhadores de várias nacionalidades que se concentraram à porta da empresa, na zona de Entrecampos, em Lisboa. Nos cartazes podia ler-se “Todos Pobres” ou “Teleperformance – Worst Place to Work” (Pior sítio para trabalhar) ou "Stop playing with us" (Parem de brincar connosco").

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Os trabalhadores contaram com a solidariedade de Mariana Mortágua, que foi ali dizer-lhes que a sua luta "é justa" e "quando falamos em salários melhores, economia melhor, falamos também desta grande empresa, uma empresa multinacional que não aceita pagar salários dignos aos seus trabalhadores".

"Hoje é um dia histórico, é uma uma manifestação histórica de trabalhadores dos call-centers. Nós queremos estar a seu lado", prosseguiu a coordenadora do Bloco de Esquerda, acusando a Teleperformance de ser "uma empresa que é atraída pelos baixos salários, paga salários de miséria, que se recusa a aumentar o salário base para os 840 euros".

A solução para esta situação de precariedade e baixos salários passa pela contratação dos trabalhadores pelas empresas que precisam de serviços de call-centers, eliminando estes intermediários, defendeu. Em alternativa,  "podem ser contratados com contratação coletiva, que é a forma que têm os trabalhadores de negociar melhores salários".

"Quando a direita fala de grandes multinacionais que se instalam em Portugal, este é o modelo que temos: é uma enorme multinacional que não paga sequer o salário mínimo, que se recusa a pagar o salário mínimo, porque diz que a residência que dá, a cama que dá aos trabalhadores, já faz parte do salário, que se recusa a pagar os prémios dos trabalhadores", insistiu Mariana Mortágua, concluindo que "Portugal não pode ser o offshore dos baixos salários, onde milhares de jovens qualificados trabalham por uma casa" e que esta "manifestação histórica" é a luta que quer impedir os jovens de emigrarem.

Em comunicado, o SINTTAV resumiu a reunião com a administração da Teleperformance em que esta recusou aumentar o salário mínimo na empresa para os mil euros, iniciar a discussão para um acordo coletivo, ou mesmo acordar que a negociação salarial seria feita em junho em valores nunca inferiores aos da inflação. Segundo o sindicato, o argumento para as três recusas foi o mesmo: a empresa diz não ter dinheiro para aumentos salariais.