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Greve dos estivadores contra precariedade bloqueia Porto de Setúbal

Desde 5 de novembro que o porto de Setúbal não opera nem contentores nem o terminal da Autoeuropa. Estivadores recusam-se a trabalhar enquanto a empresa Operestiva não assinar contratos permanentes com os precários. Bloco está solidário com esta luta.
Foto do SEAL - Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística.

De acordo com o Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL) no Porto de Setúbal existe uma “brutalidade de precariedade”.

“São 90% de trabalhadores eventuais para 10% de trabalhadores efetivos, mas o movimento do Porto de Setúbal está totalmente dependente destes trabalhadores precários", denunciou António Mariano, dirigente do SEAL, à TSF.

Um destes trabalhadores, de 33 anos, explicou à emissora que trabalha há dez anos no Porto de Setúbal mas continua a ser um "trabalhador eventual", vivendo de contratos diários.

"Todos os dias somos escalados por turno. Cada turno que efetuamos é um contrato novo", referiu. O primeiro turno diário corresponde a oito horas de trabalho, o segundo corresponde a sete. Muitas vezes, este trabalhador cumpre dois turnos no mesmo dia.

"Eu faço mais do que o período de trabalho por mês que a lei permite - que são 22 dias úteis -, chego a ter 30 a 40 turnos por mês", acrescentou, sublinhando ainda a empresa “arranjou uma procuração para poder, automaticamente, assinar pelos trabalhadores" os contratos de trabalho diários que antigamente tinham de assinar todos os dias.

Em declarações ao jornal Público, José Soeiro afirmou ser “incompreensível” que haja “10% de trabalhadores efectivos e 90% de precários” no Porto de Setúbal.

O deputado bloquista criticou ainda o facto de “nesta madrugada” a empresa ter tentado aliciar trabalhadores do Porto de Lisboa para irem substituir os de Setúbal.

“Isso é uma provocação, mas a estratégia saiu-lhes furada, porque os trabalhadores do Porto de Lisboa estão solidários e não foram”, destacou.

José Soeiro defendeu que “a ministra do Mar deve mediar o processo para garantir que existe a integração de um número aceitável trabalhadores”, que deve ir aumentando com o tempo.

“Os portos sempre funcionaram assim [com trabalhadores eventuais]. Mas tem de haver uma percentagem mais equilibrada entre efetivos e eventuais. A solução é garantir a integração de um número razoável de trabalhadores. E os que não são contratados têm de ter o mínimo de rendimento para sobreviver. Os que não ficam efetivos devem, por exemplo, ter prioridade de preenchimento dos turnos extra, como está a ser proposto pelo sindicato”, rematou o dirigente do Bloco de Esquerda.

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