Adesão massiva à greve dos estivadores contra práticas anti-sindicais

27 de julho 2018 - 12:42

A paralisação, que registou uma adesão de 100% entre os filiados do Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL), foi agendada na sequência da “crescente proliferação de práticas anti-sindicais”. O SEAL entregou novo pré-aviso de greve às horas extraordinárias entre 13 de agosto e 10 de setembro.

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Foto pubicada no blogue do Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística "O Estivador".

De acordo com o Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL), que representa cerca de 600 trabalhadores, a adesão à paralisação de 24h que decorre esta sexta-feira é total entre os seus filiados, o que no universo geral significa “60 a 70%”.

Foi entretanto agendado um novo protesto dos estivadores nos portos de Lisboa, Setúbal, Sines, Figueira da Foz, Leixões, Caniçal, Ponta Delgada e Praia da Vitória, que decorrerá entre as 8h de dia 13 de agosto e as 8h de 10 de setembro e vai incidir sobre o trabalho extra.

“Crescente proliferação de práticas anti-sindicais nos diversos portos portugueses”

Segundo o SEAL, esta greve surge na sequência da “crescente proliferação de práticas anti-sindicais nos diversos portos portugueses, revestindo-se estas de extrema gravidade no porto de Leixões, permanecendo ainda graves no porto do Caniçal”.

A situação é agravada “pelo quadro de retaliação por parte das entidades patronais que, em resposta à jornada de luta motivada pelas situações de Leixões e Caniçal, optaram por rasgar um acordo celebrado no mês passado, relativo ao porto de Lisboa”.

O sindicato denuncia que esta é “mais uma das muitas formas de assédio moral sobre os trabalhadores portuários”, que se vem somar “à perseguição e à coacção, desde o suborno à discriminação, desde as ameaças de despedimento até à chantagem salarial, comportamentos 'criminosos' que pretendem, não apenas colocar os trabalhadores uns contra os outros, mas evitar que os mesmos procedam à sua sindicalização de forma livre e consciente”.

Conforme refere o SEAL, “destes comportamentos ilegítimos por parte das empresas, frequentemente para benefício próprio de alguns agentes no terreno em detrimento da qualidade e produtividade dos serviços prestados nos portos, resulta uma maior precarização da mão-de-obra portuária” e o consequente “brutal aumento dos níveis de sinistralidade verificados”.