Esta sexta-feira é dia de greve nacional convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses aos turnos da manhã e da tarde. Ao final da manhã, os números mostravam a forte adesão, com encerramentos de blocos de partos e de cirurgia em ambulatório.
Vários serviços e hospitais registaram adesões de 100%, como na Unidade Local de Saúde de Viseu Dão-Lafões, onde encerrou a cirurgia de ambulatório dos hospitais de Viseu e Tondela e a unidade de AVC, onde foram assegurados os serviços mínimos. No bloco de partos do Hospital do Barreiro e nos blocos operatórios dos hospitais de Setúbal e Garcia de Orta, em Almada a adesão foi de 100%, o mesmo acontecendo no turno da manhã nos hospitais de Peniche e Rovisco Pais, na Tocha, concelho de Cantanhede.
Segundo a agência Lusa, citando números do SEP, no Hospital de Abrantes, 92 dos 103 enfermeiros escalados aderiram à greve (89%), enquanto em Tomar a adesão foi de 76% (62 em 82). No Hospital Dona Estefânia e no Hospital de São José, ambos em Lisboa, a paralisação atingiu 90,83%, com 109 enfermeiros em greve em cada unidade. Já no Hospital de Lagos, a adesão situou-se nos 83,33% (20 em 24), enquanto no Fundão atingiu 81,82% (9 em 11). No hospital da Covilhã, a adesão foi de 68% (68 em 10), em Castelo Branco de 60,84% (87 em 143)) e em Faro de 63% (128 em 203).
Os enfermeiros convocaram esta paralisação em resposta ao incumprimento do Ministério da Educação, que tinha dado o prazo do fim de fevereiro para fazer o levantamento dos casos em que a contabilização dos pontos está a impedir a progressão na carreira e o pagamento dos respetivos retroativos.
O SEP exige também a admissão de mais enfermeiros, a contagem do tempo de serviço prestado em vínculo precário, a transição para a categoria de Enfermeiro-Especialista de todos os titulados que o eram em 2019, a aplicação da legislação relativa aos horários de trabalho, a abertura de concursos de acesso às categorias de Enfermeiro-Especialista, de Enfermeiro-Gestor e em lugares de Direção, e a negociação de um sistema de Avaliação do Desempenho adequado às especificidades da profissão de Enfermagem, direcionado para a prática dos cuidados e sem quotas.
Os enfermeiros querem ainda negociar formas de compensação do risco e da penosidade, “desde logo através da alteração dos critérios para a aposentação”, a retirada do pacote laboral por parte do Governo e o reforço do SNS. E alertam que “é absolutamente obrigatório que o Ministério da Saúde contrate os profissionais necessários para garantir o carácter temporário previsto na lei relativamente à reorganização em curso nos serviços de urgência pediátrica e blocos de partos”.