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Greve Climática Estudantil das Caldas da Rainha lança carta aberta sobre requalificação da linha do Oeste

Juntando-se à mobilização internacional Fridays for Future, para 25 de setembro, o grupo de jovens do movimento climático enviaram uma carta aberta ao Ministro das Infraestruturas onde exigem a recuperação da linha ferroviária do Oeste.
Foto Nuno Morão/Flickr

Na carta, o grupo da Greve Climática Estudantil das Caldas da Rainha critica o “desinteresse governamental crónico, no que toca à linha ferroviária do Oeste”, que se reflete “na falta de condições, na pouca acessibilidade e nos horários por vezes inadequados às necessidades reais das populações que a linha serve”.

O grupo, que se junta à mobilização internacional do movimento Fridays For Future para dia 25 de Setembro, convocada em Portugal pela plataforma Salvar o Clima, publicou a carta para evidenciar como a mobilidade é um dos eixos centrais para enfrentar a crise climática.

O manifesto da mobilização de 25 de Setembro refere a necessidade de “conferir o caráter de gratuidade e requalificar a rede de transportes públicos nacionais”.

Leia aqui a carta enviada ao Ministro das Infraestruturas.


Carta Aberta ao Ministro das Infraestruturas e Habitação,

Somos vizinhas e vizinhos de uma linha que ficou há muito esquecida. Nas últimas décadas, a linha ferroviária do Oeste pouco ou nada sofreu melhorias. A modernização da Linha do Oeste compreende um investimento global 106,8 milhões de euros, financiado a cerca de 70% por fundos comunitários (equivalendo a 74,1 M€), oriundos do PT2020/FERROVIA2020, sendo o restante proveniente do Orçamento de Estado.

O projeto está partido em dois, sendo a primeira metade a ligação Mira Sintra/Meleças - Torres Vedras, cujo concurso público já foi concluído e adjudicado mas a obra não avançou, e a segunda Torres Vedras - Caldas que ainda não tem sequer o concurso iniciado, estando à espera que a Infraestruturas de Portugal ultime o projeto construtivo, realize os Estudos de Impacte Ambiental que a lei determina e que finalmente lance o respetivo concurso de construção.

De acordo com o cronograma aprovado pelo Governo anterior para o Ferrovia 2020, o 3º trimestre deveria coincidir com a fase final de testes de operação e funcionamento da nova linha Meleças-Caldas da Rainha e, como se sabe, as obras do primeiro troço ainda mal arrancaram. O atraso de que falamos será, até ao momento, de pelo menos 3 anos face ao que estava previsto.

Tais atrasos não têm justificação e acarretam elevados custos para o bem-estar da população e para o planeta. O desinteresse por parte do governo reflete-se na falta de condições, na pouca acessibilidade e nos horários por vezes inadequados às necessidades reais das populações que a linha serve. Isto leva a que as pessoas procurem alternativas mais viáveis,

diminuindo a procura, tornando assim o comboio um meio de transporte cada vez menos competitivo e perpetuando um efeito bola de neve desfavorável para a linha do Oeste, que continua sem o devido investimento.

A eletrificação da Linha do Oeste significaria a diminuição do consumo de combustíveis fósseis e menores emissões de gases com efeito de estufa, pondo a região um passo mais perto da sustentabilidade e do fim da dependência energética, bem como viagens mais rápidas e confortáveis. Assim sendo, exigimos:

● A aplicação rápida dos fundos disponibilizados para a requalificação integral da linha

● o investimento em campanhas de Publicidade e Marketing para reconquistar o interesse da população.

● A garantia de um serviço público de qualidade ao serviço das populações. Em suma, reivindicamos, em conjunto com a população local, uma resposta rápida a este problema, pois acreditamos que a mobilidade sustentável é um dos eixos para resolver a crise climática. Para isto, a Greve Climática sai às ruas dia 25 de Setembro para exigir soluções concretas, sendo que nós, enquanto Greve Climática Estudantil das Caldas da Rainha ocuparemos as

redes sociais para exigir um sistema mais verde e mais justo.

Caldas da Rainha, 14 de Setembro de 2020

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