Está aqui

Grandes empresas de combustíveis fósseis dos EUA ficam com fundos de ajuda para PME’s

50 milhões de dólares de apoios para pequenas e médias empresas em dificuldades por causa da pandemia foram afinal parar às grandes empresas exploradoras de petróleo e de minas.
Mina de carvão. Foto de 1984abhionwiki/wikimedia commons.
Mina de carvão. Foto de 1984abhionwiki/wikimedia commons.

Segundo o grupo de investigação Documented e o jornal The Guardian, pelo menos cinquenta milhões de dólares de um fundo de apoio público que deveria ser dedicado a pequenos negócios, foram parar aos bolsos de grandes empresas do setor dos combustíveis fósseis.

Três empresas mineiras embolsaram 28 milhões. Duas de entre elas, avança o jornal, têm ligações a responsáveis governamentais da administração Trump. A Hallador Coal recebeu dez milhões e contratou como lobista Scott Pruitt, o anterior responsável ambiental de Trump. A Rhino Resources, que era gerida pelo atual chefe de administração para a Segurança e Saúde nas Minas de Trump, David Zatezalo, recebeu mais dez. A Ramaco Resources recebeu 8,4. Os restantes 22 milhões foram distribuídos entre petrolíferas e empresas de gás.

Contudo, estas fontes acreditam que os valores encontrados não terão sido os únicos que foram parar a este tipo de empresas. Jesse Coleman, um dos investigadores do Documented, esclarece que estes montantes são apenas o que lhes é permitido conhecer através de “revelações voluntárias das empresas”. Sendo assim, “um retrato incompleto do que está a acontecer”. Coleman pensa que estas ajudas são um “mau negócio financeiro” para os contribuintes e um mal para o conjunto do planeta.

Nesta verba não se incluem os benefícios fiscais que também passaram a usufruir em tempo de coronavírus.

A questão da transparência dos programas de ajuda económica está na ordem do dia nos EUA. O governo norte-americano assumiu que não tem tido capacidade para detetar a que empresas os bancos têm emprestado dinheiro.

O que é conhecido foi-o através da comunicação social. Grandes empresas, como a equipa de basquetebol Los Angeles Lakers e cadeia de fast food Shake Shack, viram-se na berlinda depois de terem visto expostos os seus nomes enquanto beneficiários destas ajudas. Sentiram-se por isso obrigadas pela indignação pública a devolver o dinheiro recebido.

Termos relacionados Internacional
(...)