A Campanha por Uma Auditoria da Dívida Grega tornou pública uma declaração em que denuncia que “o novo tratado internacional e o memorando que acompanham a 'redução' da dívida pública grega empurram o povo grego rumo a ainda mais pobreza”.
A Campanha sublinha que “o Art.º 13.º do novo acordo determina que a emissão de obrigações seja feita em consonância com a legislação inglesa e luxemburguesa, o que constitui um insulto e uma humilhação para um estado soberano e impõe o cativeiro virtual de todo um povo, ao tentar impedir qualquer renegociação da dívida”.
A Campanha por Uma Auditoria à Dívida Grega defende que “é necessário suspender imediatamente os pagamentos e adiar a troca de obrigações prevista pelo acordo PSI. Caso contrário, os nossos fundos de pensões, que perdem 12 mil milhões de euros com este acordo, entram em bancarrota, enquanto se paga, escandalosamente, na íntegra, o primeiro empréstimo de resgate da Troika, de 110 mil milhões de euros (que nem sequer chegou a ser votado no parlamento).”
A Campanha afirma que a suspensão de pagamentos é uma exigência constitucional, “porque estamos em pleno estado de emergência, não sendo possível reembolsar os credores e, ao mesmo tempo, financiar setores públicos essenciais (como a saúde, a educação e a segurança social)”. Lembra que a Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas e o Tribunal Internacional de Haia reconhecem, ambos, que o estado de emergência é uma razão legítima para anular obrigações internacionais, nomeadamente através da suspensão de pagamentos. E recorda que “o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos reconheceu este mesmo princípio em relação à dívida russa, decretando que o interesse público é superior a quaisquer exigências financeiras dos credores”.
A proposta da Campanha é a estratégia oposta: “suspensão imediata do pagamento da dívida, auditoria à dívida, apoio social efetivo ao nível dos rendimentos, aumento real dos salários, das pensões e do subsídio de desemprego, nacionalização do sistema bancário e fortalecimento intensivo das redes de apoio social e do estado de providência. É a única solução para o povo grego e está nos antípodas da que está a ser proposta pela Troika e pelo governo”.