O documento, que contém o nome de 1991 pessoas com contas avultadas, e não declaradas ao fisco, no valor total de 1500 milhões de euros, no banco britânico HSBC em Genebra, na Suíça, terá sido elaborado por oficiais franceses em 2010 e posteriormente entregue ao ex-ministro das Finanças, Giorgos Papaconstantinou, por Christine Lagarde, sua homóloga à época e atual dirigente do Fundo Monetário Internacional.
O secretário geral do PASOK, Evangelos Venizelos, teve conhecimento desta lista, que inclui o nome de um político da Nova Democracia, partido que faz parte da coligação no poder, em agosto de 2011, quando detinha a pasta das Finanças, sendo que, tal como o seu antecessor, ocultou do Parlamento esta informação já que, “na altura, estava mais preocupado com salvar o país” do que com "controlar informação secreta".
Entretanto, a divulgação na internet, na terça feira, de uma lista de 36 nomes de ex ministros e atuais e ex deputados, que estão alegadamente a ser investigados pela Unidade de Crimes Financeiros e Económicos grega por irregularidades financeiras e enriquecimento ilícito, levou ao suicídio de Leonidas Tzanis, advogado, deputado da ND e antigo vice ministro do Interior, que foi encontrado enforcado na sua casa.
Syriza: ocultação da “Lista Laguarde é uma importante questão política”
“O facto de os ministros das Finanças que recomendaram as medidas mais catastróficas que o país alguma vez conheceu terem guardado na gaveta, durante dois anos, uma lista de contas suíças utilizadas por accionistas para fugirem aos impostos, sem informarem o Parlamento, é uma questão política importante”, adiantou a Syriza.
Os representantes governamentais ocultaram este documento “com a mesma facilidade com que atacaram pensões e salários”, sublinhou.
A Syriza considera que os argumentos utilizados pelo dirigente do PASOK, Evangelos Venizelos, para justificar a ocultação da lista “carecem de seriedade e são politicamente inaceitáveis” e um “indicativo de uma política que faz das classes mais fracas o seu alvo, enquanto protege os poderosos”.
Ex ministro dos Transportes afasta-se do Pasok
O ex ministro dos Transportes e proeminente membro do PASOK, Yiannis Ragousis, anunciou na quarta feira o seu afastamento do partido.
"Como membro do governo que foi repetidamente apresentado perante factos consumados e foi obrigado a aprovar cortes nos salários e nas pensões para que a Grécia permanecesse de pé, eu considero que tudo o que foi confirmado através da infame "Lista de Lagarde" é politicamente imoral e tremendamente injusto para a sociedade", adiantou Ragousis.
Ragousis acrescentou que a questão é característica "da determinação - ou a falta dela - de combate à evasão fiscal com o mesmo rigor que foi aplicado na redução dos rendimentos e imposição de novos impostos". O ex ministro dos Transportes sublinhou ainda que as políticas gregas dos últimos 35 anos, incluindo as do PASOK, "levaram a Grécia à falência e a decadência moral da sociedade".