Os piores receios dos promotores da iniciativa cidadã que juntou mais de um milhão de assinaturas na União Europeia confirmaram-se esta segunda-feira, com os governos dos 27 Estados-membro da UE a aprovarem a realização de um novo estudo de impacto da proposta para reduzir o uso de pesticidas na agricultura.
A proposta da Comissão tinha a oposição do poderoso lóbi da agroindústria, manifestado na posição de vários governos, entre os quais o português, que procuraram várias formas de atrasar o processo que iria reduzir o uso de pesticidas químicos e perigosos na UE para metade até 2030, proibindo-os quase por completo nas áreas protegidas.
Além de alegarem falta de alternativas para os agricultores, estes estados começaram a contestar a proposta por não ter em conta o impacto da guerra na Ucrânia nos mercados de cereais e outros produtos agrícolas e na segurança alimentar em geral. Agora, o novo estudo aprovado deverá estar pronto num prazo de seis meses. Mas os defensores da redução de pesticidas denunciam que o verdadeiro objetivo do lóbi é evitar que a proposta seja aprovada até ao fim do atual mandato da Comissão e do Parlamento em 2024. Após a aprovação dos países, ela ainda teria de ser negociada entre os Estados e o Parlamento, um processo igualmente moroso.
"Trata-se de uma estratégia para matar este plano anti-pesticidas, usando como justificação a crise alimentar ligada à Ucrânia, mas esta oposição insere-se na proteção dos grandes interesses agrícolas", afirmou à Euronews um dos co-promotores da iniciativa cidadã "Salvem as Abelhas e os Agricultores", Helmut Burtscher-Schaden.
No início de novembro, a Comissão já tinha adiado por mais um ano a proibição do uso do glifosato, prolongando a autorização para que este herbicida considerado perigoso para a saúde humana, dos animais e do meio ambiente continue a ser usado na UE, enquanto se espera para julho de 2023 a publicação de um estudo científico por parte da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar acerca dos seus efeitos.