Nesta sexta feira, o Governo de Zapatero colocou o controlo do espaço aéreo de Espanha sob o comando da Força Aérea, em resposta a uma “paralisação espontânea” dos controladores, após o governo ter aprovado um decreto que agrava sobremaneira as condições de trabalho dos controladores do tráfego aéreo.
Neste sábado, alguns controladores começaram a regressar aos locais de trabalho, mas recusaram-se a desempenhar a sua função, alegando problemas de saúde.
O governo Zapatero decidiu então declarar o estado de alarme, primeiro nível do estado de emergência, em todo o território de Espanha para a “totalidade das torres de controlo dos aeroportos da rede e dos centros de controlo” geridos pela AENA (Aeropuertos Españoles y Navegación Aérea). Por este decreto governamental, os controladores aéreos são considerados “pessoal militar” e colocados sob as ordens do chefe de estado maior da força aérea.
Perante a declaração do estado de alarme, os controladores começaram a regressar ao trabalho e o espaço aéreo de Espanha já foi reaberto. O Governo de Espanha espera que o caos nos aeroportos, que afectou provavelmente mais de 600.000 pessoas, esteja ultrapassado entre 24 a 48 horas.
As centrais sindicais CCOO (Comisiones Obreras), UGT e USO (Unión Sindical Obrera) demarcam-se da acção dos controladores e responsabilizam o Governo de Zapatero pela situação, provocada pela privatização da AENA e pelo decreto lei que regula a jornada de trabalho dos controladores.
O porta-voz da UGT na AENA, Raúl Gomez, considerou que os controladores reagiram à “postura desmedida” do Governo ao estabelecer uma jornada de 1.670 horas anuais e, “pela primeira vez”, a obrigação de cumprir 80 horas extraordinárias.
O porta-voz da USO, José Via, atribuiu a reacção dos controladores a uma “reacção desesperada” que se vira contra os seus próprios interesses, e realçou: “Estamos de acordo com os protestos, mas não com o procedimento”.