Nesta sexta feira, o Governo espanhol decidiu aumentar o horário de trabalho anual dos controladores de tráfego aéreo, cortou o pagamento de horas extraordinárias e cortou também o direito de dispensa por assistência à família e em caso de morte de familiares. Pelo novo decreto os controladores são obrigados a trabalhar 1.670 horas anuais, sendo obrigados a compensar as baixas.
Os controladores aéreos deram de imediato parte de doente e abandonaram os locais de trabalho, levando à paralisação do tráfego aéreo e afectando mais de 250.000 passageiros.
O Governo de Zapatero decidiu então chamar as forças armadas para controlar o espaço aéreo e o chefe de estado maior da força aérea ordenou aos controladores que vão para os seus postos de trabalho. Em Madrid, a polícia foi ao hotel onde os controladores se encontravam em reunião para os identificar e ordenar o regresso ao trabalho.
O conflito entre o Governo e os controladores arrasta-se há meses e tem como pano de fundo a decisão governamental de privatizar a AENA – empresa de aeroportos de Espanha.
A União Sindical dos Controladores Aéreos (USCA) diz que a paralisação foi um “protesto espontâneo” provocado pela aprovação num ano do quarto decreto governamental contra os controladores aéreos. O porta-voz da USCA, Daniel Zamit, declarou que os controladores “não se encontravam em condições físico-psíquicas adequadas para prestar o seu trabalho” e declarou à Cadena Ser: “Voltaram a torcer a lei para que trabalhemos para além dos limites. Lamentamos que os passageiros sejam os grandes prejudicados e que o Governo saia impune, mas temos direitos”.
Como já vem sendo a reacção habitual dos governo da chamada “terceira via” perante lutas de trabalhadores, Zapatero e os seus ministros acusam os controladores de serem privilegiados.