O Bloco requereu a vinda da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da Autoridade para as Condições do Trabalho ao Parlamento, para que sejam prestados esclarecimentos sobre os atropelos laborais a ocorrerem no seio do Global Media Group (GMG).
O partido alerta que, perante a enorme instabilidade instigada pela administração do GMG, com a existência de salários em atraso, contratos que não são renovados e anúncios de despedimentos. estão “em causa os direitos dos seus trabalhadores bem como a qualidade e a sobrevivência de importantes títulos da comunicação social portuguesa”.
Num segundo requerimento, em que os bloquistas solicitam a audição, na Assembleia da República, do Ministro da Cultura, é recordado que, quando os acionistas do GMG e da Páginas Civilizadas “manifestaram interesse em alienar as suas participações sociais na Lusa, o Governo mostrou disponibilidade para negociar a adquirir uma posição mais significativa na estrutura acionista da agência noticiosa”. Essa intenção do Governo, divulgada em agosto de 2023, “fundamenta-se na necessidade de assegurar a autonomia da Lusa, garantindo o seu papel indispensável no panorama da comunicação social portuguesa”, lê-se no documento.
Para esse efeito, a Direção-Geral do Tesouro e Finanças apresentou, a 22 de novembro de 2023, uma proposta formal de aquisição, que previa a liquidação integral da dívida do GMG à Lusa. No final desse mesmo mês, o ministro da Cultura foi informado da posição do PSD de que qualquer decisão “deveria ser tomada pelo próximo Governo”. Neste contexto, o executivo socialita recuou, afirmando que deixaram “de estar reunidas as condições para concluir a operação”.
O Bloco refere que é importante lembrar que o GMG, no seguimento de um processo de reestruturação acionista, é agora controlado pelo fundo de investimento World Opportunity Fund, sediado nas Bahamas, cujo capital se desconhece. E que o processo de reestruturação foi concretizado através da venda da maioria do capital da Páginas Civilizadas, que controla a Global Media, cessando Marco Galinha as funções de presidente da Comissão Executiva. De acordo com o partido, esta presença do opaco World Opportunity Fund, através do Global Media Group, na estrutura acionista da Lusa é motivo de “grande preocupação”.
A este respeito, os bloquistas lembram que a situação financeira do Global Media Group tem sido usada pela nova administração como argumento para a sua intenção de despedir entre 150 a 200 trabalhadores.