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"Governo quer roubar nos transportes para garantir os lucros estratosféricos das elétricas”

A propósito das medidas anunciadas pelo Governo sobre o preço da eletricidade, Catarina Martins afirmou que tirar o dinheiro do Fundo Ambiental para manter os lucros das elétricas é uma escolha “perigosa e uma profunda desilusão”.
Catarina Martins: “É preciso é baixar a conta da luz”. Fotografia: Andreia Quartau

Catarina Martins esteve esta quarta-feira numa iniciativa de campanha em Almada. Em declarações à imprensa, a coordenadora do Bloco reagiu à declaração do Ministro do Ambiente relativo ao preço da energia considerando-a “perigosa e uma profunda desilusão”.

“Na verdade o Governo anunciou que vai fazer precisamente aquilo que o Bloco de Esquerda tinha avisado que era uma má opção: vai buscar o dinheiro ao Fundo Afmbiental para que as elétricas possam manter os seus lucros estratosféricos em vez de cortar nesses lucros, garantir a baixa a luz e manter o Fundo Ambiental para o que ele serve”. Por exemplo “para baixar os preços dos passes, que foi uma das medidas mais importantes que fizemos”, exemplificou Catarina Martins. 

“O que o Governo está a dizer é que está a roubar nos transportes para garantir os lucros estratosféricos das elétricas em vez de fazer como em Espanha e pôr regras no mercado que permitam manter o acesso aos transportes coletivos, ao mesmo tempo que baixa a conta da luz”, referiu a coordenadora do Bloco, acrescentando que o Governo está a desistir da política de transportes bem como de baixar o preço dos passes “para que as elétricas continuem a ganhar os seus lucros excessivos e no fim a conta da luz nem sequer baixa”.

Catarina Martins lembrou que “os preços da energia no mercado são formados pela última energia que entra. Quando entra o gás (que tem que pagar licenças de carbono) toda a energia é paga ao mesmo valor. Quer dizer que as barragens (que não pagam licenças de carbono) estão a ser pagas como se fossem gás” ou seja, “a um preço estratosférico”. 

“O que o governo espanhol está a fazer é dizer que não é razoável que as barragens ganhem com o mercado carbono do gás com os consumidores a pagarem duas e três vezes uma coisa que não é preciso pagar. Em Espanha está a haver regras para que o mercado não seja tão absurdo. Isso é o que devia estar a ser feito em Portugal”. Se assim fosse, “não estaríamos a pagar lucros que ninguém é capaz de explicar porque é que as elétricas hão-de estar a receber”. 

A coordenadora do Bloco reafirmou que “temos que fazer o caminho para que os passes sejam cada vez mais baratos e por outro lado precisamos que as pessoas não usem o carro individual e que o transporte público compense. Queremos fazer o caminho para a gratuitidade dos passes começando por quem está desempregado, pelas pessoas mais velhas, essa medida tem neste momento mais consenso”. 

“O Governo é incapaz de dar um passo que seja para regularizar o mercado e acabar com a pouca vergonha das rendas excessivas das elétricas. Foram as barragens da EDP, são as rendas excessivas em que Portugal não é capaz de fazer sequer o que está a fazer-se em Espanha. É um insulto a quem trabalha. Isto tem que acabar”, concluiu Catarina Martins.

Também Jorge Costa, deputado do Bloco que acompanha esta área, criticou a posição do Governo bem como a cedência às elétricas.
 

Despedimentos na GALP

Sobre a Galp, que encerrou a refinaria em Matosinhos despedindo cerca de cinco mil trabalhadores, Catarina Martins afirmou que “o artigo de António Costa não explica nada e não diz nada de novo”. 

A coordenadora do Bloco recordou que o Governo é acionista da empresa mas age recorrentemente como se não fosse e elencou três erros na abordagem do Governo à situação da GALP: 

“O primeiro erro é que o Estado não pode fazer de conta que não é acionista da Galp. O segundo erro é que o Estado podia ter proibido as empresas que distribuem dividendos de fazer despedimento. Não tem nenhum sentido uma empresa ter dinheiro para andar a distribuir lucros e não ter dinheiro para manter postos de trabalho. E mais uma vez o Partido Socialista não quis dar esse passo. Ou seja, não atuou enquanto acionista da Galp para impedir os despedimentos e não atuou na legislação geral para impedir que empresas que andam a distribuir lucros possam despedir”. 

O terceiro erro remete para “dizerem-nos que o fecho da refinaria da Galp tem que ver com uma transição energética” o que não corresponde à verdade “uma vez que própria Galp já anunciou que o encerramento da refinaria não significa menos produção de dióxido de carbono. É só uma reafetação do sítio onde a produz; produz menos em Matosinhos há-de produzir mais em Sines. Portanto, também não há aqui nenhuma transição energética que justifique aqueles despedimentos.”

Catarina Martins recordou que “o Bloco de Esquerda tem defendido a transição energética, defendemos que ela deve ser também feita com a formação dos trabalhadores, porque mudar a energia não precisa de menos trabalhadores, precisa é de outra forma de gerar energia e de qualificação dos trabalhadores para essas novas formas de produção de energia”. 

“O Governo tem um problema: deixou que acontecessem os despedimentos; não fez nada enquanto acionista da Galp porque o Estado português é acionista da Galp, recusou-se a aprovar as medidas do Bloco de Esquerda que impediam que quem anda a distribuir lucros possa despedir e está a aceitar o argumento mentiroso da Galp que diz que é para a transição energética quando nada do que a Galp propõe fazer vai baixar as emissões de CO2. A Galp vai voltar a poluir, despede trabalhadores, tem mais lucros com menos emprego e isto é absolutamente inaceitável”, rematou a coordenadora do Bloco. 

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