Esta quinta feira, o coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, promoveu, juntamente com a deputada Ana Drago, uma visita ao Hospital D. Estefânia, em Lisboa, enquadrada nas "Jornadas pelo Estado Social", promovidas pelo Bloco de Esquerda, e que decorrem até ao dia 30 de janeiro, data em que o grupo parlamentar do Bloco interpela o ministro da Solidariedade e Segurança Social sobre “políticas sociais”.
Durante a iniciativa, o dirigente bloquista insurgiu-se contra a política do governo, que visa demolir todas os progressos conquistados na área da saúde e “reduzir o SNS a um serviço minimalista e assistencialista”.
João Semedo sublinhou que os portugueses não se esquecem desses progressos, como a evolução, nos últimos 40 anos, da esperança média de vida de 67 anos para quase 80 anos, do aumento - de 37% para 99% - da percentagem de partos realizados em meio hospitalar e da regressão da mortalidade infantil para dois a três em cada mil nascimentos relativamente aos 55 por cada mil verificados há quatro décadas.
O deputado do Bloco exaltou o Hospital D. Estefânia, que considera ser um "marco e um pilar do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", e alertou que o novo corte orçamental de 4 mil milhões de euros nas funções sociais, imposto pela troika e pelo governo, coloca em risco não só o Hospital Dona Estefânia mas todo o SNS, “o direito à saúde e à qualidade de tratamento”.
O coordenador do Bloco de Esquerda sublinhou ainda que “ao contrário da campanha de mentira e desinformação que está a ser levada a cabo em torno da despesa pública e da despesa social, o Serviço Nacional de Saúde não é mais caro do que os serviços de saúde de outros países da União Europeia”. “Se compararmos a despesa de saúde pública por habitante em Portugal com outros países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), gastamos menos 500 euros por habitante". "Temos um bom SNS, não é de luxo nem caro. É o que precisamos e é pago pelo orçamento e impostos de todos os contribuintes", adiantou.
RTP: "a bem do pluralismo e da formação da opinião em Portugal"
Questionado pela comunicação social sobre o posicionamento do governo no que respeita à privatização da RTP, João Semedo voltou a esclarecer que o que o Bloco pretende é que “o governo de uma vez por todas abandone a intenção de concessionar ou privatizar a RTP”. “Nós queremos a RTP porque queremos um serviço público de informação a bem do pluralismo e da formação da opinião em Portugal", avançou.
Para o dirigente do Bloco, "uma solução de adiamento, transitória" não traz tranquilidade relativamente ao futuro da estação pública de televisão.