O líder parlamentar do Bloco de Esquerda lembrou a “situação inaudita a nível parlamentar” registada esta quinta-feira com o primeiro ministro, que, “contra todo o bom senso, contra aquilo que era visível aos olhos de todos, defendeu durante toda a tarde que a secretária de Estado tinha condições para continuar, quando era óbvio que cada vez que o Governo virava a página de um acaso estava a abrir um caso novo para ser explorado”.
Para Pedro Filipe Soares, “é incompreensível que o primeiro ministro não percebesse o óbvio”. O dirigente bloquista lamentou a “catadupa de casos” e a opção do Governo de “trazer mais um problema para a mesa do Conselho de Ministros”.
Pedro Filipe assinalou ainda a “incapacidade” do executivo “em garantir que quem chama para o Governo tem condições para cumprir mandato”.
“Organize-se o Governo e responda-se ao país”, prosseguiu o líder parlamentar bloquista, destacando que, “acima de tudo”, é preciso trazer “estabilidade à vida das pessoas e para isso são precisas outras políticas”.
Numa nota enviada à comunicação social, o gabinete da ministra da Agricultura e da Alimentação deu conta da demissão de Carla Alves, apresentada na tarde de quinta-feira “por entender não dispor de condições políticas e pessoais para iniciar funções no cargo”.
Carla Alves tinha tomado posse esta semana no Governo, mas desde março tem as suas contas bancárias arrestadas na sequência da acusação ao marido, o ex-autarca de Vinhais envolvido na venda de terrenos do Seminário local, um negócio sob suspeita. Ao longo de oito anos, o casal depositou quase mais 700 mil euros do que os rendimentos declarados, segundo noticiou o Correio da Manhã.