O governo da Guiné-Bissau anunciou na sexta-feira o encerramento imediato das emissões das delegações da Lusa, RTP África e RDP África, bem como a expulsão dos seus jornalistas até à próxima terça-feira. Não foram dadas razões para essa decisão, anunciada pelo primeiro-ministro Braima Camará, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Carlos Pinto Pereira no final de um encontro com a comunidade internacional em Bissau sobre as eleições gerais marcadas para 23 de novembro. O chefe da diplomacia guineense prometeu mais esclarecimentos para este sábado.
O governo de Braima Camará foi empossado a 8 de agosto e o Presidente Umaro Sissoco Embaló anunciou nessa cerimónia que será novamente candidato às presidenciais de novembro. Embaló fez agora saber que cancelou a visita a Lisboa agendada para os próximos dias, onde visitaria a sede da CPLP, cuja presidência rotativa é assegurada pela Guiné Bissau.
Guiné-Bissau
Guineenses vão sair à rua contra “permanência do atual regime no poder”
Em entrevista à RFI, o dirigente da Liga Guineense dos Direitos Humanos Bubacar Turé diz não ter ficado surpreendido com a decisão do novo governo, “que traduz uma expressão do carácter autoritário e ditatorial do regime no poder na Guiné-Bissau”.
“Tudo isso faz parte de passo para manipular as eleições. As eleições livres, justas e transparentes, não são compatíveis com o controlo da liberdade de imprensa, com a liberdade de expressão”, refere Bubacar Turé, alertando que “todas as instituições democráticas na Guiné-Bissau estão controladas pelo poder” e que o “ próximo passo será, naturalmente, atacar a imprensa independente nacional”.
Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas e Técnicos de Comunicação Social (SINJOTECS) da Guiné-Bissau condenou “com veemência a decisão unilateral do Governo da Guiné-Bissau de encerrar as emissões” daqueles órgãos de comunicação social portugueses e a expulsão dos seus representantes, apelando a que ambas as decisões sejam revertidas.
O sindicato considera esta medida “um retrocesso inaceitável no caminho para a consolidação da democracia, da transparência e do Estado de Direito na Guiné-Bissau”, mas também “um grave atentado à liberdade de imprensa, à liberdade de expressão e ao direito dos cidadãos guineenses de aceder a uma informação plural, livre e independente”.
Em Portugal, o Governo manifestou o seu repúdio pela decisão e convocou o embaixador guineense em Lisboa para dar explicações este sábado no Ministério dos Negócios Estrangeiros.