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Governo escolhe presidente de petrolífera para “paraministro” de retoma económica

O primeiro-ministro escolheu António Costa Silva para negociar com ministros e fazer a ligação com parceiros e partidos. Catarina Martins garante que Bloco continuará a negociar com os membros do Governo e lembra que a existência de “paraministros” não é possível no nosso ordenamento. 
António Costa Silva, presidente executivo da petrolífera Partex. Foto RTP, Flickr.
António Costa Silva, presidente executivo da petrolífera Partex. Foto RTP, Flickr.

“O senhor primeiro-ministro pode escolher quem queira para o aconselhar”, mas o “Bloco continuará a negociar com os membros do Governo como tem feito até agora”, frisou Catarina Martins em declarações aos jornalistas.

“A existência de “paraministros” não é possível no nosso ordenamento”, acrescentou a coordenadora bloquista, lembrando que “as pessoas que têm competência para tomar decisões em Portugal estão sujeitas não só a um regime de incompatibilidades rigoroso como ao dever de transparência em relação aos seus rendimentos”.

As posições de Costa da Silva

Costa Silva foi um crítico frontal contra o acordo parlamentar entre PS, Bloco e PCP que permitiu a política de recuperação de rendimentos. Em 2018, o presidente executivo da petrolífera Partex expressou abertamente a sua indignação mediante a decisão do Governo de deixar cair a exploração de gás e petróleo no Algarve. De acordo com Costa Silva, “o secretário de Estado da Energia está um pouco prisioneiro de uma visão ideológica e extremista de certos sectores que apoiam o Governo e que não é boa”.

“Decidimos não investir mais em Portugal, não vale a pena”, frisou o presidente da Partex em entrevista ao Público, acusando o executivo de governar “em função do que dizem os autarcas e a opinião pública”.

Ainda que tenha chegado a criticar o facto de Portugal ter vendido posições consideráveis na EDP e na REN a empresas estatais chinesas, António Costa da Silva mudou de opinião quando se tratou de vender a Partex à PTT Exploration and Production (PTTEP), empresa pública tailandesa de exploração e produção de petróleo, por cerca de 555 milhões de euros.

Uma “mudança de ciclo”. Foi assim que o presidente da Partex, citado pelo caderno de Economia do Expresso, falou sobre o negócio: “Estamos orgulhosos do passado, mas agora estamos com os olhos postos no futuro. Vamos trabalhar com o novo acionista com a mesma dedicação, lealdade e entusiasmo, para responder a todos os desafios e participar na transição energética contando sempre com a ajuda inestimável da nossa equipa”.

O receio dos trabalhadores face ao seu futuro também não preocupou Costa da Silva. A transação prevê que a empresa tailandesa terá de mantê-los por 24 meses. Depois disso, reina a incerteza.

"Vamos estar dois anos a fazer o handover do negócio e depois podemos ser corridos", alertam os trabalhadores, com uma média de idades de 50 anos e 14 anos de antiguidade na empresa. A possibilidade de um despedimento coletivo no horizonte motivou o pedido de impugnação em tribunal da decisão do governo português de não se pronunciar sobre a venda da empresa pela Gulbenkian aos novos acionistas tailandeses.

Costa da Silva já iniciou ronda de reuniões 

Segundo avança o jornal Expresso, António Costa Silva, engenheiro de minas de formação e presidente executivo da Partex, tornou-se, nas últimas duas semanas, numa espécie de “paraministro”.

“O chefe de Governo falou com todos os membros do seu executivo e explicou-lhes que Costa Silva iria reunir com cada um deles para definirem os programas que estão previstos ou programados e que devem cair, ficar ou nascer”, explica o semanário.

António Costa Silva já acompanhou o primeiro-ministro em reuniões com empresários e começou os encontros com cada um dos ministros e irá “facilitar consensos” junto de parceiros e partidos políticos.

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