Governo e indústria farmacêutica isolados contra proposta do Bloco

31 de março 2011 - 16:02

Texto final da proposta do Bloco que estabelece a obrigatoriedade da indicação do preço de venda ao público na embalagem dos medicamentos foi aprovado pela Comissão de Saúde da AR. O PS, que votou contra a medida, só tem o apoio da indústria farmacêutica.

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Para o deputado João Semedo “a indicação dos preços nas embalagens é um direito dos cidadãos e um motivo de transparência”.

Apenas os deputados do grupo parlamentar do Partido Socialista votaram contra o texto final resultante da discussão, na especialidade, da proposta do Bloco que estabelece a obrigatoriedade da indicação do preço de venda ao público na rotulagem dos medicamentos, e que será aprovado em plenário na Assembleia da República (AR) na sexta-feira ou na quarta-feira da próxima semana.  

A comissão está ainda a finalizar o diploma que instituiu a prescrição de medicamentos por substância activa ou denominação comum internacional. 

Governo apenas tem como parceiro a indústria farmacêutica

A reposição dos preços nas embalagens dos medicamentos era reivindicada por inúmeras associações e instituições que, inclusive, chegaram a entregar na AR, em Novembro de 2010, uma petição com cerca de 150 mil assinaturas a exigir a revogação do decreto que permitiu a eliminação da indicação dos preços de venda ao público, nos casos dos medicamentos comparticipados sujeitos a receita médica.

O presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), João Cordeiro, já congratulou, em declarações prestadas à Renascença, a decisão da Comissão de Saúde e afirmou que espera que a proposta seja aprovada na votação definitiva na Assembleia da República.

Também o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) saudou a iniciativa, defendendo que esta trará "transparência ao processo".

“É com agrado que recebemos essa notícia. Tivemos oportunidade para nos manifestar contra a retirada do PVP dos medicamentos, situação que lamentámos e que não compreendíamos”, afirmou à agência Lusa Carlos Braga, dirigente do MUSP.

Apenas a indústria farmacêutica veio criticar a reposição do preço nas embalagens dos medicamentos, considerando que a medida é «tremendamente absurda» e constitui um ataque à actividade das empresas. A Apifarma acusa os partidos da oposição de terem aprovado esta medida por motivos puramente eleitoralistas.

Medida garante “o direito dos consumidores à informação”

O deputado João Semedo, do Bloco de Esquerda, considera que “não há razão que justifique a decisão do governo” de eliminar a indicação dos preços de venda ao público (PVP) das embalagens da grande maioria dos medicamentos vendidos nas farmácias.

 Para este deputado “a indicação dos preços nas embalagens é um direito dos cidadãos e um motivo de transparência”, sendo que a situação imposta pelo governo “compromete o direito dos consumidores à informação”.

João Semedo esclarece ainda que “não há ninguém que defenda a retirada de preços sem ser a indústria” e que “o preço afixado é um factor de confiança”.