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Governo dos EUA autoriza perfurações em reserva natural do Alasca

É a maior reserva de proteção animal dos Estados Unidos. Até agora esteve a salvo das indústrias dos combustíveis fósseis. Nesta segunda, Trump permitiu que se comece a procurar petróleo e gás.
Arctic National Wildlife Refuge wilderness. Foto de Dusty Vaughn/Flickr.
Arctic National Wildlife Refuge wilderness. Foto de Dusty Vaughn/Flickr.

O Refúgio Nacional da Vida Selvagem do Ártico, no Alasca, é a maior reserva natural de preservação animal dos Estados Unidos da América, ocupando cerca 7,7 milhões de hectares. Os ursos polares e as renas são apenas dois dos seus habitantes de maior porte e mais conhecidos.

Podem estar em risco, alertam os ambientalistas. Isto porque, a partir desta segunda-feira, passam a estar autorizadas as perfurações para exploração de petróleo e de gás em toda a zona costeira desta região. O Secretário do Interior do governo norte-americano, David Bernhardt, que assinou a decisão, declarou no momento que esta marcava “um novo capítulo na independência energética da América”, acusando os seus predecessores de “anos de inação” que teria desbaratado o “potencial energético” da região.

A decisão sustenta-se numa lei tributária de 2017 que abria a possibilidade de haver exploração de petróleo e gás na reserva e que agora parece ficar definitivamente selada. O leilão para as licenças ocorrerá até ao final do ano, garante o governo.

A poucos meses de eleições decisivas, o presidente do país cumpre um desígnio dos setores conservadores que foi objeto de batalha durante quatro décadas, com os democratas a bloquear várias vezes as decisões que pretendiam avançar com o projeto. Isso mesmo sublinhou o governador republicano de Alasca, Mike Dunleavy, citado pela Associated Press: “o anúncio de hoje assinala um marco na jornada de quarenta anos para desenvolver responsavelmente a nova fronteira energética do nosso estado e da nossa nação”.

Os grupos de defesa da conservação da natureza não concordam. Para além das razões ambientais, há quem tente acrescentar argumentos económicos como o faz Kristen Monsell, advogada do Centro para a Diversidade Biológica”, à mesma agência noticiosa: “é absolutamente louco pôr em perigo este belo lugar durante um período de excesso de produção mundial de petróleo”.

Outros juntam argumentos legais. O Sierra Club promete levar o caso à barra dos tribunais. Lena Moffitt, da campanha intitulada “A Nossa América Selvagem” daquele que é o maior grupo ecologista do país, fala numa venda “sem vergonha” que é “uma farsa”. Por isso, promete processar o governo. Matt Lee-Ashley, do Centro para o Progresso Americano, concorda e diz que a análise ambiental que levou à decisão é “risivelmente indefensável”.

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