“Governo deve dizer à Altice que não pode fazer este despedimento”

05 de julho 2021 - 18:15

Num encontro com trabalhadores e trabalhadoras ameaçadas de despedimento pela Altice, a coordenadora bloquista afimou que esta luta "é pelo vosso posto de trabalho, mas é por todos os salários e pela dignidade do trabalho em Portugal”.

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Encontro de Trabalhadores despedidos da Altice com Catarina Martins - Foto Andreia Quartau
Encontro de Trabalhadores despedidos da Altice com Catarina Martins - Foto Andreia Quartau

Catarina Martins esteve esta terça-feira no Porto com cerca de 70 trabalhadoras e trabalhadores que a Altice quer despedir, a quem manifestou solidariedade e garantiu que “estaremos ao vosso lado todos os dias, com toda a humildade para aprender convosco quais são os passos que devem ser dados em cada momento”.

Luta para que Governo não autorize despedimento coletivo

Um despedimento coletivo exige a autorização do executivo e o Governo não deve autorizar este despedimento, afirmou Catarina. Em primeiro lugar, “porque é claro que os vossos postos de trabalho não acabaram. Os vossos postos de trabalho continuam e esta é só uma forma de fazer pressão sobre os salários e de despedir os trabalhadores que fizeram tudo por esta empresa e que construíram esta empresa”, prosseguiu.

“Em segundo lugar, este despedimento também não deve ser aceite até pelas práticas reiteradas da Altice, de abuso sobre os trabalhadores”, apontou a coordenadora bloquista, lembrando que “há quatro anos foi a transmissão do estabelecimento que começou com uma luta terrível”.

“Temos agora trabalhadores a quem é negada a possibilidade de trabalhar quando não estão despedidos. A forma como iniciam este despedimento coletivo é ilegal e, por isso, não pode ser aceite”, reafirmou Catarina Martins.

“Se o Governo aceitasse este despedimento estaria a dizer que sim a duas ilegalidades”, afirmou Catarina Martins, acrescentando que estaria “a despedir pessoas, quando o seu posto de trabalho se mantém e a legitimar a ilegalidade que está a ser feita”.

“Em terceiro lugar, e não menos importante, nós estamos numa pandemia, a Altice é uma empresa que tem lucros, que aliás anunciou os resultados muito positivos que teve o ano passado. Basta olhar para os relatórios de contas da Altice e a forma como diz que o seu resultado operacional foi notável. Uma empresa grande com um resultado operacional notável não despede no meio de uma pandemia, é a responsabilidade social para com todo o país e isso não pode ser aceite”, destacou a coordenadora bloquista.

“O Governo deve dizer à Altice que não pode fazer este despedimento porque os postos de trabalho se mantêm, porque está a tentar fazer um despedimento de forma ilegal e porque uma empresa com lucros no meio de uma pandemia não despede”, sintetizou Catarina Martins.

Não basta parar este despedimento

A coordenadora do Bloco de Esquerda disse a seguir que “não basta parar este despedimento” e defendeu que “é preciso atuar sobre as várias formas como a empresa está a assediar os seus trabalhadores”. “Para isso, é preciso a atuação da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), é preciso ser claro para defender quem trabalha”, apontou Catarina Martins.

“A luta que vocês têm feito é uma luta exemplar, uma das razões porque os salários são baixos neste país é precisamente porque se atacam todos os trabalhadores que têm qualquer direito”, afirmou a dirigente bloquista.

"Substituir trabalhadores que estão aqui há décadas, abrangidos por Contratos Coletivos de Trabalho, por outsourcing e outros esquemas, é uma forma de baixar os salários que são pagos pela Altice”, frisou, acrescentando que “é uma forma de baixar os salários em todo o país" e "condenar toda a gente a salários de miséria".

“A vossa luta é pelo vosso posto de trabalho, mas é por todos os salários e pela dignidade do trabalho em Portugal. E é também uma luta por uma das empresas estratégicas do país”, sublinhou ainda Catarina Martins.