O governo liderado por Daniel Ortega decidiu ilegalizar nesta quarta-feira a ordem religiosa católica Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como os jesuítas, tendo também confiscado os seus bens. Trata-se da maior ordem religiosa masculina desta religião, com mais de 16.000 membros em todo o mundo, e aquela a que pertence o seu mais alto dignitário, o papa Francisco.
A decisão, assinada pela ministra da Governação, María Amelia Coronel Kinloch, chega uma semana depois da intervenção judicial na Universidade Centroamericana, que era propriedade deste grupo religioso. A instituição universitária foi acusada de ser um “centro de terrorismo”, perdeu todos os seus bens e contas bancárias, foi-lhe anulada a personalidade jurídica e acabou por suspender todas as atividades. No dia seguinte, seis sacerdotes que trabalhavam na universidade foram despejados da sua residência.
A Província Centroamericana da Companhia de Jesus tinha então considerado ser alvo de uma “agressão governamental”, refutando as “falsas e graves acusações”, assinalando ainda este não ser “um facto isolado” mas “parte de uma série de ataques injustificados contra a população nicaraguense e outras instituições educativas e sociais da sociedade”.
No decreto em que se ilegaliza a Companhia de Jesus, esta é acusada de “incumprimento das leis” por alegadamente não ter comunicado quem era a sua junta diretiva depois de 27 de março de 2020, não ter apresentado relatórios financeiros entre 2020 e 2022 e não comunicar as atividades à Direção Geral de Registo e Controlo de Organismos sem Fins Lucrativos para que se avaliasse se estavam de acordo com os “seus objetivos e fins”.
Este é o episódio mais recente da perseguição de Ortega à Igreja Católica do país, tendo existido anteriormente expulsões e prisões de sacerdotes, a expulsão de duas ordens de freiras e proibições de atividades religiosas. O ataque também tem sido dirigido às oposições políticas, com 222 opositores a terem sido detidos, visto os seus bens confiscados e expulsos do país em fevereiro, à sociedade civil, com a ilegalização de mais de 3.000 grupos, entre os quais a Cruz Vermelha, e a outras instituições do ensino superior do país: desde o final de 2021 que 26 universidades foram fechadas e viram os seus bens confiscados.