Nicarágua

A 18 de abril de 2018 começou uma vaga de manifestações que, no espaço de poucas semanas, evoluiu de alguns menores protestos de rua contra cortes nas pensões para um movimento de massas contra o regime de Ortega.

Matthias Schindler

A Nicarágua está em ruínas. O capitalismo de amigalhaços destruiu a economia. A desconfiança e o medo omnipresentes caracterizam atualmente o clima geral na sociedade do país, por entre vagas de repressão e purgas insitucionais.

Matthias Schindler

A crise política interna e a deterioração das condições económicas internacionais conduzirão a uma nova intensificação da crise social na Nicarágua, que ninguém sabe que forma assumirá nas próximas semanas e meses.

Matthias Schindler

A presidência de Violeta Chamorro marcou um regime transitório a vários níveis políticos e sociais. Em primeiro lugar significou o fim da Revolução Sandinista e um retrocesso social fundamental para grandes partes da população pobre.

Matthias Schindler

Major reformado teve de fugir da repressão sangrenta aos protestos pacíficos de 2018 e foi um dos opositores ao regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo que viu ser retirada a sua nacionalidade após acusações de “traição à pátria”.

Matthias Schindler

A formalização – não se trata de uma legalização! – e manifestação pública dos paramilitares como “polícias voluntários” é uma ameaça declarada contra qualquer tentativa de oposição ou de mostrar descontentamento com o regime atual.

Matthias Schindler

O parlamento mudou unanimemente 148 dos 198 artigos da Magna Carta e anulou por completo outros 37 artigos, entre eles o artigo que proibiu a tortura. Só 13 artigos ficaram completamente intactos.

Matthias Schindler

Do sandinismo ao orteguismo, a história da revolução na Nicarágua é, sobretudo, a história da libertação de um povo contra a ditadura e do regresso progressivo ao autoritarismo. Nesta entrevista exclusiva ao Esquerda, Matthias Schindler, que participou no movimento de solidariedade com a Nicarágua durante 40 anos, fala das transformações do regime.

Daniel Moura Borges

Humberto Ortega faleceu como prisioneiro político em condições de isolamento e negligência médica total, condições impostas pelo seu irmão, o presidente Daniel Ortega, e pela sua cunhada, a vice-presidente Rosario Murillo.

Matthias Schindler

Os bens da ordem religiosa foram confiscados e esta deixa de poder existir no país uma semana depois de ter sido encerrada a Universidade Centroamericana por ser considerada um “centro de terrorismo”. A ação soma-se à expulsão de opositores em fevereiro e à ilegalização de milhares de organizações não governamentais.

Numa carta aberta dirigida aos partidos e organizações do Fórum de São Paulo, antigos presos políticos agora privados da sua nacionalidade acusam o regime de Ortega de ser "incompatível com os princípios de uma esquerda que pretende ser uma alternativa às injustiças do mundo em que vivemos".

O povo nicaraguense não mudou e continua o mesmo: combativo e solidário. O sandinismo mudou muito e se tornou um orteguismo

Henrique Carneiro