Ciência

Governo corta financiamento, centros de investigação protestam

06 de maio 2025 - 12:36

117 unidades de investigação classificadas com a segunda melhor nota, de “Muito Bom”, mereceram em troca um corte de 69% no financiamento base para os próximos cinco anos. 35 centros assinam carta de contestação ao Governo.

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Fernando Alexandre
Fernando Alexandre. Foto do Grupo Parlamentar do PSD/Flickr

Os cortes no financiamento aos centros de investigação estão a agitar a comunidade científica portuguesa. Os resultados da avaliação foram conhecidos há poucas semanas, os centros começaram a fazer contas ao financiamento das unidades, que é vinculado à avaliação, e a conclusão é que o seu funcionamento está ameaçado, noticia esta segunda-feira o jornal Público.

As 117 unidades com avaliação de “Muito Bom”, a segunda melhor nota da escala, integram mais de seis mil cientistas, quase um terço da comunidade com nota positiva, irão sofrer um corte de 69% no financiamento base. No ciclo 2020-2024 a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) pagava 3.750 euros anuais por investigador e nos próximos cinco anos esse valor vai cair para apenas 1.157 euros. Mesmo acrescentando outros tipos de financiamento destas unidades além do base, o valor pago por cientista vai cair de 4.038 euros para 2.848 euros, refere o jornal.

Em carta aberta, os responsáveis por 35 centros de investigação fazem contas ao investimento que seria necessário para impedir o corte brutal, mas que ainda assim não repõe os níveis anteriores de financiamento. Dizem que com 50 milhões de euros seria possível atribuir 2.750 euros por investigador, menos mil euros do que até agora, mas bem acima do que o atual Governo concede.

Com o valor atual, argumenta Miguel Portela, responsável pelo Núcleo de Investigação em Políticas Económicas e Empresariais da Universidade do Minho e um dos autores da carta aberta, “torna-se impossível gerir as unidades de investigação”. E há o risco de saída de investigadores e de aumento da precariedade no setor.

Numa “carta de indignação” divulgada em abril, o professor emérito da Faculdade de Belas Artes do Porto e investigador do Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS), José Paiva, alertava para o “corte injustificado” da verba atribuída às unidades de I&D classificadas com “Muito Bom”.

José Paiva denunciou também nessa carta “a desigualdade criada por um sistema de avaliação complexo e discutível, que atribui às UI&D a classificação de ‘Excelente’ orçamentos financiados pela FCT quatro vezes superior às classificadas com ‘Muito Bom’ (que traduz um incremento de 300%).”