Está aqui

Governo ainda pode reverter o negócio das barragens

“Governo tem de fazer uma escolha: ou apoia o desenvolvimento desta região e reverte o negócio ou é cúmplice das negociatas da EDP”, afirmou Catarina Martins em Miranda do Douro, lembrando que são 110 milhões de euros que estavam prometidos ao povo transmontano.
Catarina Martins em Miranda do Douro - foto esquerda.net
Catarina Martins em Miranda do Douro - foto esquerda.net

Catarina Martins esteve este domingo em Miranda do Douro, onde visitou a barragem e reuniu com o Movimento Cultural da Terra de Miranda.

Em declarações à comunicação social, a coordenadora do Bloco de Esquerda lembrou que “houve uma alteração legislativa importante que deu a esperança” que, nomeadamente o imposto de selo, cobrado pelo negócio das barragens “pudesse reverter a favor dos povos da Terra de Miranda”.

“O Governo decidiu fechar os olhos ao esquema que a EDP montou para fugir aos impostos na venda das barragens”, criticou Catarina Martins, sublinhando que “são 110 milhões de euros que estavam prometidos ao povo transmontano e que não estão a ser pagos”.

“Ainda é tempo de reverter este negócio e o governo tem de fazer uma escolha, ou apoia o desenvolvimento desta região e reverte o negócio, ou é cúmplice das negociatas da EDP”, afirmou Catarina Martins, e salientou: “Aquilo que nós no Bloco de Esquerda defendemos é que é possível reverter o negócio e essa é a responsabilidade pública”.

“Aquilo que nós no Bloco de Esquerda defendemos é que é possível reverter o negócio e essa é a responsabilidade pública” - afirmou Catarina Martins - Foto esquerda.net
“Aquilo que nós no Bloco de Esquerda defendemos é que é possível reverter o negócio e essa é a responsabilidade pública”, afirmou Catarina Martins - Foto esquerda.net

Respondendo a perguntas dos jornalistas, a coordenadora bloquista referiu que o Bloco pediu aos ministros do Ambiente e das Finanças que dessem explicações ao parlamento e pediu também um conjunto de documentos sobre o negócio, sobre as decisões que foram tomadas e os pareceres que fundamentaram essas decisões.

"Lembramos que a EDP criou uma empresa que não existia, para poder passar para ela as barragens, para depois as passar para uma outra. Neste sentido mascarou a venda das barragens para não pagar imposto ", apontou a coordenadora bloquista, salientando que isso aconteceu “poucos dias depois de entrar em vigor uma legislação que permitia que o imposto de selo das vendas das barragens ficasse aqui, em Trás-os-Montes, para esta população”.

“Ouço muitas vezes falar do desenvolvimento do interior, e acho que é uma enorme hipocrisia falar-se do desenvolvimento do interior, ao mesmo tempo que se permite que a EDP assalte o povo transmontano ao roubar-lhes 110 milhões de euros em impostos”, reafirmou Catarina Martins, frisando que "a operação [de venda das barragens] é falsa e deve ser denunciada como tal",

Fazer pressão para que o imposto de selo reverta para esta região”

Antes de Catarina Martins, falou à comunicação social Paulo Meirinhos, músico e artesão do Movimento Cultural da Terra de Miranda. O movimento “é apartidário e reúne cinco associações da Terra de Miranda”: Associação da Língua e da Cultura Mirandesas; Frauga – Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote; Galandum Galundaina – Associação Cultural; Lérias – Associação Cultural; Maschocalheiro – Associação de Bemposta.

“O nosso objetivo é que se faça justiça com a Terra de Miranda. Nós vemos esta terra cada vez com menos gente, despovoada e sentimos que há uma obrigação por parte do poder central com esta terra, que tanto tem dado ao país”, afirmou Paulo Meirinhos, sublinhando que “todos os dias saem daqui milhões e milhões de riqueza, que não é partilhada com esta terra”.

“De há sessenta anos para cá que existem estas barragens, os impostos não ficam aqui, ao longo destes anos todos podiam ter servido para reter população, para que esta região fosse atualmente uma região com gente. E, sentimos que é uma região cada vez mais despovoada e abandonada pelo poder central”, salientou o ativista.

Paulo Meirinhos afirmou a concluir: “Em relação a este negócio havia a perspetiva de o imposto de selo reverter para a região, estamos a ver essa expectativa gorada e pretendemos manter-nos ativos e a fazer pressão para que o imposto de selo reverta para esta região”.

Termos relacionados Política
(...)