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Golpistas matam quinze pessoas em protesto pacífico no Sudão

Milhares de pessoas protestavam esta quarta-feira em Cartum contra o golpe militar quando as forças de segurança dispararam, matando quinze pessoas e ferindo dezenas.
“Legitimidade vem das ruas, não dos canhões”, podia ouvir-se noutra palavra de ordem.
“Legitimidade vem das ruas, não dos canhões”, podia ouvir-se noutra palavra de ordem. Imagem via AJPlus, Twitter.

O protesto contra o golpe do passado dia 25 de outubro juntou milhares de pessoas na capital do Sudão, Cartum, bem como nas cidades de Bahri e Omdurman, exigindo a devolução de poder para as autoridades civis e a instauração de um tribunal para os líderes do golpe militar.

As forças do regime dispararam balas reais e gás lacrimogéneo sobre os grupos em protesto em todas as cidades, e as comunicações móveis foram impedidas.

Segundo declarações do Comité Central de Médicos Sudaneses, “as forças golpistas utilizaram balas reais em diferentes áreas da capital e há dezenas de feridos por balas, alguns em situação grave”.

Em resposta às forças militares, os grupos em protesto organizaram barricadas em toda a cidade. “As pessoas estão aterrorizadas”, disse à Reuters um dos manifestantes.

No início do protesto, os manifestantes cantavam “as pessoas são mais fortes e a retirada é impossível”. Outros levavam imagens de pessoas mortas nos protestos anteriores bem como de Abdalla Hamdok, o primeiro-ministro que foi colocado em prisão domiciliária após o golpe militar.

“Legitimidade vem das ruas, não dos canhões”, podia ouvir-se noutra palavra de ordem.

“Nunca tivemos violência em Bahri como a que vimos hoje, mesmo durante o antigo regime”, disse outro manifestante em referência à ditadura de Omar al-Bashir, que caiu em 2019 numa aliança entre forças civis democráticas e forças militares. O golpe de outubro passado foi apoiado por veteranos do regime de Bashir.

“As forças golpistas estão a recorrer a repressão excessiva e a cercar as marchas revolucionárias em várias áreas”, disse a Associação Sudanesa de Profissionais, que ajudou a promover as manifestações. “A repressão foi precedida de uma interrupção deliberada de serviços de comunicação e internet”, denunciam.

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