Administrador da PT indicado pelo Estado, Soares Carneiro liderou o fundo de pensões a empresa e viu-se envolvido num investimento polémico que abriu caminho à sua saída da empresa. Foram 75 milhões de euros do fundo de pensões que foram parar a veículos financeiros da Ongoing, empresa accionista da PT, sem a aprovação do comité de investimentos da empresa.
Na altura, o administrador da Caixa Geral de Depósitos, Jorge Tomé, levantou a voz para denunciar a operação financeira. Foi aberto um inquérito e alteraram-se as regras dos investimentos da empresa, mas nessa altura já se sabia que a Ongoing se preparava para adquirir a TVI, após o falhanço da desastrada operação de compra por parte da PT.
Soares Carneiro acabou por se demitir em Fevereiro e cinco meses depois aparece contratado pela Ongoing, a empresa no centro da polémica do investimento de 75 milhões, do qual Soares Carneiro diz ser completamente alheio.
Outra opinião tem Pedro Rebelo de Sousa, novo presidente do Instituto Português de Corporate Governance, para quem "mandaria o bom senso que Soares Carneiro, tendo sido recompensado até ao final do mandato na PT, que terminaria em 2011, aguardasse até lá". Este gestor qualifica de "nada recomendável" a contratação de Carneiro pela Ongoing.
Por seu lado, Soares Carneiro voltou a rejeitar em comunicado qualquer responsabilidade no investimento de 75 milhões e apenas admite ter colaborado informalmente com a Ongoing para lançar uma empresa no Brasil. "Esclareço, ainda, que oportunamente firmei um acordo de confidencialidade e de não concorrência com a Portugal Telecom, que, obviamente, cumprirei na íntegra", remata o ex-administrador da PT.
Soares Carneiro diz que nada teve a ver com os 75 milhões investidos na Ongoing pelo fundo de pensões que liderou na PT