Geração à Rasca recebida na Assembleia da República

25 de março 2011 - 16:17

Depoimentos de vidas precárias e propostas para melhorar a situação do país, recolhidos pelos organizadores do protesto "Geração à rasca", estão desde esta sexta-feira disponíveis no Parlamento para consulta dos deputados e cidadãos. As folhas A4 foram entregues a Jaime Gama.

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Na manifestação "Geração à rasca", milhares de pessoas responderam ao apelo dos organizadores e saíram à rua com folhas A4 onde escreveram as suas queixas e as suas propostas. Foto Paulete Matos.

Os documentos foram recolhidos durante a manifestação do passado dia 12 de Março e são "a voz das pessoas" em situação precária, de acordo com Paula Gil, do movimento Geração à Rasca, que esta sexta-feira entregou nas mãos do presidente da Assembleia da República (AR) estes contributos.

As milhares de folhas entregues contêm também propostas para os problemas que preocupam as pessoas. O acervo ficará disponível nos arquivos do Parlamento.

Paula Gil congratulou-se com a receptividade de Jaime Gama e disse esperar agora que os documentos que a ele foram entregues sejam consultados por todos, "dos políticos aos empregadores, pelos sindicatos e pelos cidadãos em geral".

“Este acto de entrega das folhas terá um significado para lá do simbólico. Existem muitas propostas legítimas e todas essas vozes deverão ser devidamente analisadas por todas as bancadas parlamentares, pois iremos requerer que cópias sejam entregues a cada um desses grupos”, acrescentou Paula Gil.

E explicou ainda: “Consideramos que o dia 12 de Março foi um dia muito especial e assumimos, desde o início, o compromisso de estabelecermos uma ponte e entregar em mãos os anseios de todas as pessoas para que realmente algo de tangível se faça”.

De acordo com os organizadores do protesto, o balanço de dia 12 de Março é muito positivo. “As pessoas começam a mobilizar-se e a criar encontros, movimentos, etc. Assistimos a uma verdadeira tomada de consciência cívica generalizada”, afirmou João Labrincha. “Muita gente que habitualmente não o fazia, está a falar de política nos cafés, na rua, em casa”, sublinhou.

“É isto que cada um de nós, organizadores inclusivamente, iremos fazer como cidadãos, apoiando causas e movimentos que vão ao encontro das nossas consciências cívicas”, disse ainda João Labrincha.

À saída do encontro, Jaime Gama congratulou-se pelo mesmo decorrer na AR e sublinhou que o acervo está à disposição não só dos grupos parlamentares como de todos os cidadãs em particular.

Recusando-se a interpretar este movimento, Jaime Gama afirmou "a realidade é a realidade e deve ser acompanhada e compreendida". Questionado sobre se entende os motivos do protesto, o Presidente da AR disse apenas "todos os protestos têm algumas razões".