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Galp decide parar refinaria de Sines, mas mantém distribuição de dividendos

A refinaria está a atingir o limite da capacidade de armazenagem. Representantes dos trabalhadores lançam apelo para que a administração “não volte a rasgar contratos” e criticam a distribuição de dividendos proposta para a Assembleia Geral desta sexta-feira.
Refinaria de Sines vai parar a 4 de maio, porque a armazenagem está esgotada e não há mercado para escoar a produção. Apesar desta situação, administração mantém proposta de distribuição de dividendos aos acionistas
Refinaria de Sines vai parar a 4 de maio, porque a armazenagem está esgotada e não há mercado para escoar a produção. Apesar desta situação, administração mantém proposta de distribuição de dividendos aos acionistas

Refinaria de Sines vai parar a 4 de maio

A Galp decidiu parar a refinaria de Sines, porque, segundo uma fonte da empresa disse ao “Observador”, a capacidade de armazenagem está “a atingir rapidamente o seu limite”. A refinaria de Matosinhos também está parada desde 8 de abril.

“O prolongamento do estado de emergência, com a imposição de medidas extremas de contenção, quarentenas cada vez mais restritivas e a paralisação da maioria das atividades económicas, estão a criar restrições operacionais severas, causando, inclusive, interrupções na cadeia de abastecimento, em particular por não ser possível escoar os produtos produzidos”, respondeu a Galp ao “Observador”.

A Galp espera que a paragem se verifique por um período de um mês, a partir de 4 de maio.

ENSE aconselhou a paragem das refinarias “para evitar o colapso da armazenagem”

Segundo a Lusa, a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) anunciou, em comunicado, que aconselhou a suspensão temporária das refinarias da Galp, em Matosinhos e Sines, “para evitar o colapso da armazenagem”, tendo em conta o impacto da pandemia de covid-19.

“Conforme já foi transmitido a todos os operadores do sistema petrolífero nacional durante o dia de ontem [20 de abril], para que melhor possam planear e ajustar o desenvolvimento das suas atividades, o surto pandémico provocou a redução da atividade económica com efeitos ao nível da diminuição do consumo de combustíveis em todo o território nacional, e adicional e correlativamente, teve implicações diretas na capacidade de armazenagem do país que, neste momento, preenchida a 90%, está praticamente esgotada”, refere o comunicado.

A ENSE informa ainda que está a “monitorizar constantemente o abastecimento do país, mantendo, em total prontidão as reservas estratégicas e de emergência nacionais, que garantem o abastecimento de produtos derivados do petróleo ao país pelo período de 90 dias, com referência ao consumo registado em 2019”.

A ENSE sublinha que “neste cenário de excesso de oferta de derivados de petróleo, por efeito da redução do consumo, é fundamental a redução de refinados podendo a suspensão temporária das refinarias de Matosinhos e de Sines contribuir, decisivamente, para evitar o colapso da capacidade de armazenagem”.

CT apela à preservação do emprego e critica distribuição de dividendos

Na paragem da refinaria de Sines, a administração da Galp anuncia que não vai recorrer ao lay-off, mas os representantes dos trabalhadores estão preocupados com a possibilidade de dispensa de prestadores de serviços e apelam à empresa para que preserve os empregos.

Hélder Guerreiro, coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) da refinaria de Sines da Petrogal e dirigente sindical do Site Sul, disse à agência Lusa: “Estamos preocupados porque, há cerca de um mês, a Petrogal decidiu rasgar e reduzir contratos com os prestadores de serviços, do contrato de manutenção da refinaria, que provocou 80 despedimentos e esse fantasma continua a assombrar".

"Sabemos que há muita gente em casa, despedida e dispensada, e apelamos a que a administração da Petrogal/Galp não volte a rasgar contratos e a reduzir contratos de prestação de serviços no sentido de preservar o emprego e aliviar a pressão social que toda esta situação acarreta", acrescentou o dirigente sindical.

Hélder Guerreiro critica igualmente “a distribuição de 570 milhões de euros em dividendos aos acionistas”, espera que a suspensão da produção "seja no mais curto período de tempo" e que não se prolongue por mais de um mês.

Governo continua sem esclarecer como o Estado vai votar na Assembleia Geral

Como noticiámos esta segunda-feira, 20 de abril, o Governo ainda não esclareceu como o Estado vai votar a distribuição de dividendos na Assembleia Geral (AG) da Galp, que se realiza a 24 de abril, próxima sexta-feira.

O Estado, através da Parpública, detém 7,48% da GALP. Porém, não se sabe como a Parpública vai votar na AG e o Governo continua sem esclarecer esse voto.

É de frisar que vai ser votada a distribuição de dividendos, em plena crise provocada pela pandemia, de uma uma empresa que está parada, porque tem a capacidade de armazenamento no limite e não tem mercado para escoar o produto.

Os deputados do Bloco de Esquerda, no dia 8 de abril, perguntaram ao ministro do Ambiente se prevê “usar os poderes especiais que lhe confere a declaração do estado de emergência em vigor para assegurar que a gestão da produção da refinaria de Sines se fará em linha com as necessidades da resposta à crise económica e social e não em função da maximização do lucro da Petrogal”. E também pretenderam saber se o governo tenciona “impedir a distribuição de dividendos em período de crise económica e social agravada, capital que pode ser crítico para a manutenção dos compromissos do grupo Galp, nomeadamente com os seus trabalhadores e fornecedores”.

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