O G20, que reúne os ministros das Finanças e chefes dos bancos centrais das 19 principais economias mundiais mais a União Europeia, pode estar próximo de chegar a acordo para uma moratória da dívida pública bilateral dos países mais pobres. A medida surge como tentativa de travar uma crise dos países emergentes, que têm assistido a fugas de capitais significativas enquanto tentam combater a pandemia.
O Financial Times explica que o acordo, que pode ser finalizado na reunião do G20 esta semana, prevê um congelamento do pagamento das dívidas soberanas por um período de seis ou nove meses, durante o qual os países mais ricos farão uma análise específica de cada país e decidirão que medidas adotar daí para a frente. Para alguns países, será um adiamento dos pagamentos, mas para outros pode incluir um alívio da dívida, o que levaria tempo a ser definido.
Certo é que o G20 parece começar a perceber a dimensão da atual crise, tendo por isso começado a preparar a moratória da dívida de forma a garantir que os países com menos rendimentos conseguem utilizar os recursos disponíveis para fazer face à ameaça de saúde pública, sem terem de os canalizar para o pagamento da dívida.
Esta iniciativa está em linha com o apelo do FMI e do Banco Mundial para a reestruturação da dívida de vários países em desenvolvimento, que estão a enfrentar uma combinação de queda das mercadorias exportadas, fuga de capitais e degradação das condições de financiamento dos governos, o que dificulta o combate à pandemia.
Também o Papa Francisco apelou à redução ou anulação da dívida dos países mais pobres, bem como que se aliviem as sanções internacionais, já que estas impedem alguns países de ter acesso a recursos importantes para travar o contágio do vírus e assegurar as necessidades da população. Na mensagem de Páscoa, o Papa defendeu maior solidariedade internacional, “reduzindo, se não mesmo anulando, a dívida que pesa sobre os orçamentos dos países mais pobres”.