Ninguém sabe de onde vai sair o dinheiro para ampliar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para um bilião de euros (um milhão de milhões), uma das principais medidas decididas no plano de estabilização da zona euro aprovado na cimeira europeia em 26 e 27 de Outubro.
Na reunião do G-20, em Cannes, França, ficou claro que as expectativas de que os países BRIC, particularmente a China e o Brasil, iriam contribuir para o Fundo não se concretizaram. Nem se vê como seria diferente – se nem a Alemanha, nem a França, nem o Reino Unido querem investir nesse fundo, que motivos levariam os BRIC a fazê-lo?
Dilma: “Nem eles têm, por que eu teria?”
A pá de cal nessas expectativas foi dada pela presidenta do Brasil, Dilma Rousseff: "Eu não tenho a menor intenção de fazer nenhuma contribuição directa para o Fundo de Estabilização Europeu. Nem eles têm, por que eu teria?", disse, quando questionada sobre o tema em Cannes. Dilma Rousseff explicou que o Brasil está disposto a fazer uma contribuição via FMI, instituição que dá as garantias indispensáveis para este tipo de investimento. A presidenta brasileira disse que na reunião dos líderes dos BRIC, na quinta-feira, todos os países deste grupo manifestaram a mesma intenção: um possível investimento para ajudar às dificuldades financeiras da Europa seria feito unicamente através do FMI.
A cimeira, porém, também não conseguiu chegar a um acordo para o reforço do FMI. Anunciou que tinha chegado, mas que essa ampliação dos fundos do FMI só será concretizada em Fevereiro – o que é uma típica forma de dizer que não houve acordo algum.
Discurso vazio
Soam assim pouco credíveis as declarações do presidente Barack Obama, no final da cimeira, quando disse estar convicto de que os líderes europeus estão à altura de enfrentar as suas dificuldades e farão o necessário para ultrapassar a crise na zona euro.
"Depois de ter ouvido os parceiros europeus nos dois últimos dias, estou certo que a Europa está à altura de enfrentar as suas dificuldades", afirmou.
Obama destacou como grande avanço contra a crise da dívida na zona euro a decisão da Itália de convidar o Fundo Monetário Internacional para supervisionar as medidas que o governo tenciona implementar.
O presidente dos EUA afirmou ainda que a comunidade internacional está decidida a apoiar a Europa na sua luta contra a crise, mas alertou para a necessidade de crescimento, "pois se a UE não cresce, isso irá prejudicar toda a economia global".
A vez da Itália
Mas a insistência de Obama em falar da Itália mostra que este país está na linha de ataque dos mercados especulativos, e que pode estar à beira de ter de recorrer a auxílio financeiro. Acontece que a Itália é nada menos que a oitava economia do mundo e a terceira da zona euro.
Os juros da dívida italiana já chegaram aos 6,4%, e as acções dos bancos italianos caíram a pique. A cotação do banco Intesa Sanpaolo foi suspensa, depois de uma queda de 4,4%, ao mesmo tempo que as acções do UniCredit caíam mais de 5%.
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse que a carta de 14 páginas enviada pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi a Bruxelas, detalhando medidas de austeridade que pretende implementar, que incluem o aumento da idade da reforma para 67 anos, “é muito importante para o país e para a Europa”.