Segundo avança o jornal Público desta segunda-feira, fundos de investimento internacionais, conhecidos como “fundos abutre”, especializados em obter avultados lucros com títulos de dívida estão a entrar em contacto com escritórios de advogados portugueses para estudar a oportunidade de investimento em obrigações do Grupo Espírito Santo e do Banco Espírito Santo (banco mau).
Estes fundos de alto risco procuram credores que estejam em risco de perderem a totalidade ou uma grande parte dos seus investimentos em empresas em falência ou em títulos de dívida pública. Posteriormente, instauram processos judiciais para tentarem reaver a totalidade da dívida, que adquiriram por um valor inestimavelmente inferior.
Os fundos “abutre” têm visto no BES uma atrativa oportunidade de negócio, uma vez que os detentores de divida subordinada viram os seus títulos perder quase a totalidade do valor quando a responsabilidade do seu pagamento ficou no banco mau.
Assim, parece existir margem para a compra de títulos e para colocar ações em tribunal com intuito de obter indemnizações. Recorde-se que vários acionistas e detentores de dívida têm manifestado a sua vontade em processar o BES e as autoridades públicas pela solução encontrada para a crise do banco.
O Público adianta ainda que os fundos pensam também investir na dívida emitida, agora em risco de não cumprimento, pelas sociedades relacionadas com a família Espírito Santo, como a ES Internacional, ESFG, ESFIL e Rioforte.
A forma de operar destes fundos tem sido bastante debatida a propósito do processo de reestruturação da dívida pública argentina. Um juiz norte-americano ordenou que o Estado argentino pagasse a totalidade a dívida detida pelos fundos abutre.