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Fundador do festival de cinema de Berlim era propagandista nazi

O prémio Urso de Prata, Alfred Bauer, vai ter de mudar de nome na sequência de uma reportagem do Die Zeit que revelou que o fundador do festival de cinema de Berlim era uma peça importante da máquina de propaganda nazi montada por Goebbels.
Palácio da Berlinale. Berlim, 2008.
Palácio da Berlinale. Berlim, 2008. Foto: times/Wikicommons.

Alfred Bauer foi o primeiro diretor da Berlinale, fundado no rescaldo da 2ª Guerra Mundial, em 1951. Com ele, o evento atingiu um estatuto mundial, tornando-se um dos três grandes festivais de cinema europeu. Atualmente, este gaba-se de ser o certame deste género com mais espetadores no mundo.

Em 1976, Bauer passou o testemunho. Depois, em 1986, faleceu e no ano seguinte foi homenageado com o seu nome a passar ser um dos prémios do festival: o Urso de Prata – Prémio Alfred Bauer – atribuído a filmes de longa-metragem que abram novas perspetiva no campo da arte cinematográfica.

Só que Alfred Bauer não exatamente quem se pensava que fosse. Uma reportagem publicada a semana passada no jornal alemão Die Zeit revelou que o especialista em cinema colocara os seus préstimo ao serviço da máquina de propaganda nazi que tinha Joseph Goebbels à cabeça. Era mesmo uma figura destacada na hierarquia do departamento de cinema do regime que, para além da propaganda do nazismo, se destinava ainda a vigiar atores, realizadores e produtores.

Para além disso, Bauer foi não só militante do Partido Nacional-Socialista com um “ávido membro das SA”, a sua ala paramilitar cuja violência foi instrumental na ascensão de Hitler e que mais tarde seria descartada em benefício das SS.

Bauer conseguiu apagar este passado. Dizia que tinha sido um resistente. De tal forma que, apenas seis anos depois do fim do regime nazi, surge como diretor da Berlinale.

Na sequência da publicação do texto, o festival reagiu prontamente. O Prémio Urso de Prata – Alfred Bauer que faz parte de um conjunto de prémios que incluem o melhor diretor, melhor ator, melhor atriz, foi suspenso. Se continuar será com outro nome.

A direção atual do festival afirma não que não tinha conhecimento do passado do seu ex-diretor. Em nota publicada na sua página, escreveram: “saudamos o estudo e a sua publicação no Die Zeit e aproveitaremos esta oportunidade para iniciar uma pesquisa aprofundada sobre a história do festival com o apoio de especialistas externos”.

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