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Fundador da Blackwater quer enviar milhares de mercenários para ajudar Guaidó

A agência noticiosa Reuters confirmou que o fundador da empresa de segurança Blackwater está a preparar um exército privado para intervir na Venezuela.
Mercenário ao serviço do Departamento de Estado norte-americano no Iraque. Foto de jamesdale10/wikimediacommons

Erik Prince é um apoiante fervoroso de Donald Trump e um paladino da privatização da guerra. Pôs em prática lucrativamente a sua causa na Ásia Central, na África e no Médio Oriente, por exemplo, através da Blackwater. Esta empresa privada de segurança teve também um papel preponderante na guerra do Iraque tendo sido contratada para apoiar operações do Departamento de Estado norte-americano. Em 2007, mercenários da Blackwater foram acusados judicialmente de matar 17 civis iraquianos a tiro numa praça de Bagdad. Depois disso, Erik Prince desfez-se da Blackwater em 2010, apesar de ter criado uma outra empresa chamada Blackwater USA dedicada à venda de munições, silenciadores e facas.

Mas Prince não desistiu do negócio dos mercenários. A agência Reuters obteve a informação a partir de várias fontes independentes de que o milionário prepara há vários meses uma operação na Venezuela que tem uma vertente militarizada. Para esse efeito, contactou apoiantes de Trump, exilados venezuelanos ricos e deslocou-se a vários países europeus. Está à procura expressamente de angariar 40 milhões de dólares em donativos. E, para além disso, quer também meter as mãos em parte dos fundos do Estado venezuelano que foram congelados internacionalmente.

Deste seu plano faz parte o envio de 5000 mercenários internacionais para apoiar Juan Guaido a derrubar o governo venezuelano. Seriam contratados na América Latina: “peruanos, equatorianos, colombianos, falantes de espanhol”, dizem as fontes da Reuters.

A operação não foi confirmada por nenhuma das partes envolvidas. O porta-voz de Guaido, Edward Rodriguez, limitou-se a dizer à agência noticiosa que não foram discutidas operações de segurança com Prince. E um porta-voz de Prince, Marc Cohen, tinha já afirmado que Prince “não tem planos” para “implementar uma operação na Venezuela.” Só que Lital Leshem, diretora no Frontier Resource Group, um fundo de investimento pertencente a Prince, foi um bocado menos evasiva nas suas declarações: “ele tem uma solução para a Venezuela, tal como ele tem uma solução para vários outros lugares”.

E uma fonte citada pela Reuters indica que Prince tem passado a mensagem que a sua solução passa pela necessidade de criar um “acontecimento dinâmico” que quebre a situação de impasse na Venezuela.

A propósito da estimativa do número de mercenários indicado, houve quem recordasse que as imagens também falam. E, no final de janeiro deste ano, John Bolton, conselheiro para a Segurança Nacional da administração Trump, foi fotografado com um livro de notas onde se podia ler “5000 tropas para a Colômbia”, o que já então tinha sido interpretado como uma referência à possibilidade de ingerência do governo norte-americano na Venezuela.

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