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Fuga de informação reforça suspeita de ligação entre polícia alemã e extrema direita

A polícia alemã confirmou a existência de uma fuga de informação sobre a detenção de um cidadão iraquiano suspeito de homicídio. O caso está na origem dos violentos protestos de extrema direita que têm tido lugar nos últimos dias.
Fuga de informação reforça suspeita de ligação entre polícia alemã e extrema direita
Ao contrário do que tinha afirmado, a polícia de Chemnitz foi informada sobre o número extremamente elevado de neonazis e outros militantes de extrema-direita que estavam a caminho das manifestações. Foto de Caruso Pinguin/Flickr.

A confirmação da fuga de informação sobre a identidade dos suspeitos de homicídio de um homem de nacionalidade alemã veio reforçar as suspeitas de uma possível ligação entre alguns membros da polícia alemã e os manifestantes xenófobos. O mandado de detenção do homem nacionalidade iraquiana, principal suspeito da morte de um alemão de 35 anos e já entretanto detido, chegou a Lutz Bachmann, fundador do grupo de extrema direita Pegida. Bachmann, por seu turno, publicou essa informação na sua conta no Twitter, tendo essa publicação dado origem às “caçadas” a imigrantes na cidade de Chemnitz e às manifestações violentas dos últimos três dias. O mandado de detenção circulou também por grupos no WhatsApp do movimento Pro Chemnitz, autor da convocatória das manifestações.

A polícia alemã confirmou a autenticidade do mandado de detenção publicado por Lutz Bachmann no Twitter. “Já demos início à um inquérito (…) sobre a violação de segredo de justiça”, disse a porta-voz da polícia alemã.

Martin Dulig, vice presidente do estado na Saxónia, afirmou que “o facto de o mandado de detenção ter sido provavelmente divulgado pela polícia a grupos de extrema direita significa que temos um enorme problema em mãos. É uma ocorrência atroz”, disse o político do SDP.

A polícia da cidade de Chemnitz está também a ser alvo de críticas pela reação inadequada às “caçadas” a emigrantes e às manifestações de membros da extrema direita. Segundo o jornal Guardian, a primeira manifestação, a 26 de agosto, reuniu 6 mil membros da extrema direita alemã e 1 500 contra manifestantes. Posteriormente, alguns manifestantes de extrema direita dividiram-se em pequenos grupos e organizaram “caçadas” aos imigrantes da cidade onde decorreu o homicídio, ação essa que se repetiu no dia seguinte. “Um estrangeiro morto por cada alemão morto”, gritava-se na manifestação.

Uma outra crítica à polícia da Saxónia prende-se com o facto de ter sido confirmado o envio de um alerta de superiores hierárquicos sobre a mobilização de um número extremamente elevado (“na ordem dos quatro dígitos”, lê-se no documento) de neonazis e outros militantes de extrema-direita de todo o país para a cidade de Chemnitz. Porém, a polícia local tinha justificado a falha em reagir com o desconhecimento sobre o número esperado de manifestantes. Este episódio veio reforçar as suspeitas existentes sobre uma ligação entre a polícia da Saxónia, o partido anti imigração Alternative für Deutschland (AfD) e o Pegida.

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