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FSE'2010: Europa, crise e participação

O Forum Social Europeu decorre na Turquia e recebeu na sexta-feira a conferência "Europa, Crise e Participação das/os trabalhadoras/es". Por Cristina Andrade e Rui Maia, em Istambul.
Conferência organizada por activistas sindicais no Fórum Social Europeu. Foto Rui Maia

Num momento em que se assiste a um declarado ataque do capital sobre o trabalho, os direitos das/os trabalhadoras/es e as perspectivas de luta que se perfilam foram um dos temas mais abordados nesta muito participada conferência, organizada pela European Trade Union Confederation (ETUC) e também por movimentos sindicais turcos, designadamente a DICK e a KAK-IS.

Das intervenções emana a reprovação da realidade a que temos vindo a assitir que consiste em fazer com que sejam as/os trabalhadoras/es a pagar pela crise, não só através dos cortes salariais, como também pelas constantes ameaças de desemprego, pelo sistemático ataque aos direitos sociais e também pela crescente precarização, seja através do trabalho não declarado ou das empresas de trabalho temporário. Reforçando esta ideia, Joël Decaillon, secretário geral da ETUC, referiu que não há democracia sem trabalho e sem protecção social das/os trabalhadoras/es.

No que concerne especificamente à realidade turca, Salim Uslu, do KAK-IS, reportou as dificuldades colocadas à sindicalização, causadas pela própria legislação do país, que restringe a liberdade sindical. Por seu turno, Suleyman Celebi, presidente da confederação de sindicatos DISK, evocou as muitas pessoas que faleceram para que se conquistassem os direitos laborais existentes e que tão atacados estão a ser. Um das muitas conquistas efectuadas remete para o direito a um contrato de trabalho e ao despedimento perante motivos válidos. No entanto, na Turquia, um país com mais de cinco milhões e meio de desempregadas/os, a legislação desprotege as/os trabalhadoras/es a ponto de, por exemplo, ser possível a uma qualquer entidade patronal, com menos de 35 funcionárias/os, despedi-las/os liminarmente, sem qualquer motivo que o justifique.

Perante esta realidade de ganância e ataque deliberado às/aos trabalhadoras/es, a necessidade de organização das lutas torna-se premente. Assim, a grande manifestação europeia, a decorrer no dia 29 de Setembro, perfila-se como um dos próximos grandes momentos combativos nesta luta contra a usura do capital.
 

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