Foguetão a fusão nuclear será testado este ano

12 de maio 2013 - 17:30

John Slough idealizou um novo tipo de foguetão movido a fusão nuclear, a mesma energia que alimenta as estrelas. Com o apoio e financiamento recebido da NASA, o investigador espera testar o sistema inteiro de propulsão a fusão nuclear a partir de Julho ou Agosto deste ano. Artigo do Site Inovação Tecnológica

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O conceito do motor a fusão nuclear para impulsionar naves no espaço será testado até meados deste ano em laboratório.[Imagem: University of Washington/MSNW]

Além da Terra

Várias experiências vêm tentando transformar a fusão nuclear numa fonte de energia limpa que liberte a Terra dos danos impostos por fontes sujas e poluentes, como o petróleo e as centrais nucleares a fissão.

Mas o Dr. John Slough quer libertar é o homem da própria Terra, criando mecanismos para levá-lo às profundezas do espaço.

"É quase impossível para os humanos explorar muito além da Terra usando os atuais foguetões químicos. Nós esperamos criar uma fonte de energia para o espaço muito mais poderosa, que eventualmente tornará as viagens interplanetárias uma coisa comum," disse o investigador da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

Para isso, ele idealizou um novo tipo de foguetão movido a fusão nuclear, a mesma energia que alimenta as estrelas.

A ideia ganhou o apoio da NASA, através do seu Programa de Conceitos Inovadores Avançados, que pediu ao investigador que detalhasse do que seria necessário para uma viagem a Marte, incluindo uma simulação para avaliação dos resultados do motor a fusão.

Slough calculou o que seria necessário - e os riscos envolvidos - de uma missão a Marte que durasse 30 dias, e outra com duração de 90 dias.

Motor a fusão nuclear para foguetões

O grupo de Slough desenvolveu um tipo de plasma encapsulado no seu próprio campo magnético. A fusão nuclear deverá ocorre quando este plasma for comprimido a uma alta pressão.

O projeto consiste em fazer com que um forte campo magnético imploda anéis metálicos - a proposta é usar anéis de lítio - ao redor desse plasma, fazendo-o atingir uma pressão suficiente para iniciar a fusão.

Os anéis fundem-se para formar uma concha que dá a ignição para a fusão nuclear, mas esta dura apenas alguns poucos microssegundos, devido à pequena quantidade de combustível.

Ainda que a própria compressão seja muito curta, quase instantânea, a energia libertada é suficiente para gerar calor e ionizar a concha metálica a temperaturas altíssimas.

É este metal ionizado que é ejetado em alta velocidade pelo bocal do foguetão, impulsionando a nave.

O processo deverá ser repetido de minuto a minuto, um tempo que poderá variar, dependendo da velocidade que se deseja desenvolver, criando um motor a fusão nuclear pulsado.

Quando estiver próximo do destino, bastará virar a nave ao contrário, para que o motor funcione como um travão.

O principal elemento do processo - a fusão dos anéis metálicos para formar uma concha ao redor do plasma - já foi demonstrado experimentalmente no laboratório de plasma da Universidade de Washington. [Imagem: University of Washington/MSNW]

Fusão nuclear com data marcada

A diferença em relação às experimentos tradicionais de fusão nuclear é que, para gerar o impulso necessário para movimentar um foguetão, é necessária uma quantidade muito pequena de energia.

Segundo os cálculos, uma quantidade do plasma magneticamente autocontido do tamanho de um grão de areia teria a mesma energia contida em 3,8 litros de combustível químico para foguetes.

"Eu acredito que todo o mundo ficou feliz em ver a confirmação do principal mecanismo que nós estamos a usar para comprimir o plasma. Esperamos poder atrair o interesse do mundo com o facto de que a fusão nuclear não está mais a 40 anos no futuro e não vai custar biliões de dólares," disse Slough.

Embora ainda estejamos longe de dominar a fusão nuclear para geração de energia, a equipe de Slough afirma já ter testado em laboratório, separadamente, cada uma das etapas do motor a fusão nuclear - o que é necessário agora é juntar tudo para ver se funciona de verdade.

Segundo o investigador, com o financiamento recebido da NASA, ele espera testar o sistema inteiro de propulsão a fusão nuclear a partir de Julho ou Agosto deste ano.

Artigo do site Inovação Tecnológica