Uma análise do Centro de Planeamento e Avaliação de Políticas Públicas (Planapp) indica uma discrepância territorial profunda entre regiões do país como o Alentejo, onde faltam médicos de família, e o Norte e Lisboa e Vale do Tejo onde há mais acesso a médicos mas faltam lugares em lares de idosos e centros de dia.
O diagnóstico foi dado a conhecer este fim de semana pelo Público. Nele se contabiliza que no Norte e Lisboa e Vale do Tejo faltam 14.110 vagas em lares de idosos (6.299 em Lisboa, 7.811 no Norte), 7.305 em centros de dia (2.849 em Lisboa, 4.456 no Norte) e cerca de 18 mil lugares ao nível do apoio domiciliário (14.902 em Lisboa, 2.800 no Norte).
Por outro lado, no Alentejo e Centro do país, onde o índice de envelhecimento é mais elevado, há vagas suficientes para apoio domiciliário, lares e centro de dia. O principal problema são, por outro lado, os recursos de saúde, faltando nomeadamente médicos de medicina de família, neurologia otorrinolaringologia e medicina interna, e enfermeiros no Alentejo e especialistas em neurologia, oncologia e ortopedia no Centro.
Para além do Alentejo, faltam também médicos de família falta em Lisboa e Vale do Tejo e Algarve. Nesta última região foi detetada ainda a falta de 1.902 lugares de apoio domiciliário, 1.150 em lares e 570 vagas em centros de dia.
Os técnicos fazem um conjunto de recomendações como a necessidade de aumentar o número de médicos e enfermeiros especialistas nas patologias mais associadas à população idosa, de reforçar a capacidade das respostas sociais onde faltam, de medir diversos indicadores de forma a adequar recursos às necessidades de cada região ou de criar políticas públicas que se foquem “em saúde preventiva, apoio social estruturado e incentivo à natalidade e imigração” e “políticas de incentivo à mobilidade e retenção de profissionais de saúde e cuidadores nas áreas mais envelhecidas”.