Facebook da Presidência da República invadido por mensagens de apoio aos bombeiros

26 de agosto 2013 - 10:52

Centenas de pessoas estão a usar a publicação de Cavaco Silva, onde envia as condolências à família de António Borges, para lembrar o silêncio em relação à morte recente de três bombeiros. Um utilizador chega mesmo a dizer que “a celeridade a enviar condolências à família de quem ateia fogos sociais, não é a mesma para com a família daqueles que morrem a defender a sociedade dos fogos reais”.

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Entre os mais de 3500 comentários, alguns de bombeiros, é unanime a solidariedade para com os bombeiros e a crítica direta a Cavaco Silva por se manter em silêncio sobre o assunto e não se ter referido aos bombeiros vitimados durante o combate aos fogos.

A morte de três bombeiros, nas últimas semanas, não mereceu qualquer tipo de comentário por parte da Presidência da República, o que indignou vários cidadãos, que desde domingo têm enchido de comentários a página oficial no Facebook da Presidência da República.



Aproveitando a nota de condolências enviada à família de António Borges, partilhada na página da rede social, a larga maioria das pessoas têm deixado uma mensagem-tipo: “As minhas sinceras condolências aos familiares dos bombeiros falecidos.”.

Um dos comentários chega mesmo a dizer “a celeridade a enviar condolências à família de quem ateia fogos sociais, não é a mesma para com a família daqueles que morrem a defender a sociedade dos fogos reais”.

Entre os mais de 3500 comentários, alguns de bombeiros, é unanime a solidariedade para com os bombeiros e a crítica direta a Cavaco Silva por se manter em silêncio sobre o assunto e não se ter referido aos bombeiros vitimados durante o combate aos fogos.

Bombeiros profissionais indignados com silêncio de Cavaco Silva

“Há um descuido do Presidente da República perante o que aconteceu”, afirmou Fernando Curto em declarações à Lusa, comparando a atuação de Cavaco Silva perante a morte do economista António Borges e dos três bombeiros que este ano faleceram no combate aos incêndios.

 “De facto, após a morte do Dr. António Borges, houve logo esse procedimento, não estamos contra as ações e as condolências que o Sr. Presidente da República endereça, os bombeiros portugueses estão é contra o facto de não terem visto nenhuma referência aos camaradas que morreram, nomeadamente à Rita Pereira, e aos que ainda estão no hospital entre a vida e a morte”, disse.

Para Fernando Curto, esta onda de indignação “não representa qualquer miserabilismo”, mas admitiu que os bombeiros têm “sentido essa revolta”

“Temos também solicitado que se solidarizem com esta indignação que é uma indignação justa perante os bombeiros que já cá não estão”, frisou.

Segundo Fernando Curto, os membros da associação estão a fazê-lo e os bombeiros em geral também.

“Não é com prazer que o fazemos, mas dentro da ordem, da lei, da organização e da democracia em que vivemos, penso que temos o direito de mostrar a nossa indignação perante este descuido do PR”, afirmou.

“Já que somos tão mal apoiados noutras áreas, temos dificuldades no terreno, temos prejuízos humanos e materiais, pelo menos, que sentíssemos do nosso PR esse simples ato de condolências e de referência aos bombeiros portugueses”, acrescentou.

Desde o início do ano, 3 bombeiros morreram e mais de 30 ficaram feridos no combate a incêndios.

O incidente mais recente ocorreu na quinta-feira, na Serra do Caramulo, distrito de Viseu, onde uma bombeira morreu e outros seis ficaram feridos.