Durante uma sessão pública em Vila Nova de Milfontes, o dirigente bloquista admitiu que, mediante a “redução nos orçamentos e no investimento na prevenção de fogos, a situação possa estar a ser mais grave do que em anos anteriores”. “Esse balanço ainda terá de ser feito”, adiantou João Semedo, sublinhando que, no entanto, “há um balanço que já podemos fazer: morreram três bombeiros”.
“E é preciso uma palavra de reconhecimento de toda a sociedade pelo esforço, pela abnegação, pelo heroísmo, pela coragem de milhares de bombeiros voluntários que, muitos deles, não têm qualquer ajuda, e fazem a sua atividade apenas na base do altruísmo e dedicação à causa comum de preservar o bem e o património dos outros”, defendeu o coordenador nacional do Bloco.
João Semedo referiu ainda que, além da crítica, que, segundo o próprio, é justa, a Alberto João Jardim por não ter interrompido as suas férias quando a ilha estava em chamas, “é preciso lembrar que nem Pedro Passos Coelho nem Cavaco Silva tiveram, até hoje, uma palavra de reconhecimento e distinção à atividade e ao trabalho heróico dos bombeiros portugueses”.
“Todos os sacrifícios que os portugueses estão a fazer são inúteis”
Durante a iniciativa, o deputado do Bloco referiu-se ainda aos últimos dados sobre a execução orçamental, frisando que “o PSD anda a congratular-se há dois anos e, de trimestre em trimestre, os indicadores não melhoram, pelo contrário, pioram”.
“O indicador mais importante que foi esta semana conhecido foi o agravamento da dívida pública”, que ultrapassou os 130% do PIB, fixando-se em 131,4%, o equivalente a um aumento de 2 mil milhões de euros por cada mês, avançou João Semedo, lembrando que “todos os sacrifícios que os portugueses estão a fazer são inúteis”, já que “não conseguem equilibrar as contas públicas e nem conseguem pagar a dívida”.
“Governo pretende enganar, iludir os portugueses”
Segundo o líder bloquista, “o governo, ao adiar as próximas avaliações da troika, pretende, apenas por algum tempo, enganar, iludir os portugueses no que respeita àquilo que vai propor no Orçamento do Estado e que, tomos sabemos, são cortes no valor de 4,6 mil milhões de euros nas pensões, nas reformas, no orçamento dos serviços públicos e que levarão ao despedimento de milhares de funcionários públicos”.
“PSD e CDS são fortes com os fracos e fracos com a banca e outros interesses”
A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Aiveca que, tal como os candidatos do Bloco à Câmara de Odemira, Ana Loureiro, e à Assembleia Municipal, Pedro Gonçalves, também esteve presente na iniciativa, acusou o governo de “apresentar um plano de ruptura com o país”.
“O governo contornou a decisão do Tribunal Constitucional e, no ultimo mês, passou a ser cobrada uma taxa de 6% aos desempregados que recebem subsidio. Uma taxa que se aplica a todos os que recebam mais de 419 euros”, lembrou Mariana Aiveca, salientando que “com 419 euros, para este governo, é-se rico”.
“PSD e CDS são fortes com os fracos e fracos com a banca e outros interesses”, acusou.